Ciência enviesada


Teorias de conspiração nunca me pareceram atrativas, apesar dos apelos, que certamente encantam o leitor ou telespectador que leva o seu dia a dia de forma apressada, razão pela qual prefiro a via do bom senso e da consciência. Contudo, reconheço que ao me debruçar sobre os fatores desejáveis para a qualidade de vida fui surpreendido com os reflexos de um jogo de interesses de tal proporção, que, se não tiver havido um planejamento consistente nessa direção, estaria evidenciado no mínimo um grau de coincidência que raia ao absurdo. Destacando apenas três dentre os produtos que podem ser nocivos à saúde temos desde alimentos cujos insumos contêm elementos extremamente agressivos ao organismo, bebidas que fazem de quase tudo menos hidratar aquele que a consome até roupas ou utensílios permeados por materiais tóxicos. Ao que tudo indica, a riquíssima legislação de que dispomos é flagrantemente incapaz de coibir alguns abusos empresariais, além de inadequada para o esclarecimento da população sobre os riscos a que está sujeita diariamente. Parece ainda provável que tenhamos atingido um ponto em que é preciso desconfiar até da opinião oficial ou mesmo profissional sobre quais seriam as reais necessidades do ser humano ou os produtos de consumo mais indicados para a manutenção do bem-estar. Embora seja importante que voltemos a usar produtos com índices cada vez menores de substâncias nocivas, a questão seguramente é de ordem ainda superior: precisamos nos esquivar da opinião científica que jaz cativa nas mãos de fontes de financiamento que visam apenas à divulgação de resultados sob encomenda - de pareceres e estudos que lhes sejam especialmente favoráveis. O fato é que quanto mais pesquiso mais me convenço de que quem deseja qualidade de vida precisa rever com urgência alguns dos cânones da Ciência (medicina, nutrição, psicologia etc). É a saída mais indicada para evitarmos os desvios que interesses meramente econômicos tendem a promover na saúde de um modo geral.



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