Em linhas gerais, no coletivismo os meios de produção e de consumo pertenceriam ao grupo, à comunidade, à sociedade, e seriam em tese distribuídos igualitariamente para cada membro. No capitalismo, dentre outros, estaria assegurada a propriedade privada dos meios de produção, aos quais se agregaria a força do trabalho, mediante o pagamento de salários. Na prática, enquanto num modelo ninguém é dono de nada, pois tudo seria de todos, no outro sistema entra em cena a propriedade privada, seja adquirida, formada ou ampliada, seja herdada. Certamente há aspectos nobres na conceituação de ambos os sistemas, que também apresentam desvios de difícil contenção. Em meio a outros, o coletivismo teria o mérito de estimular um consumo mais equilibrado de bens, produtos e serviços, enquanto o capitalismo estimularia a criatividade em nome da rentabilidade e da agregação de maior valor ao que é fornecido ao consumidor. Por outro lado o coletivismo, mesmo o oriundo das novas correntes de pensamento, peca irremediavelmente pela tendência ao autoritarismo, padecendo também o capitalismo que se veria imbuído de forte apelo ao anarquismo. Ou seja, não é tarefa nada simples a defesa deste ou daquele modelo, pois, em especial quando quem decide os rumos da nação, da sociedade ou do grupo está descomprometido com o bem comum, as virtudes podem ser convertidas em graves erros e os desvios potenciais em verdadeiros flagelos, independentemente do sistema em vigor. Então, se tivermos a paciência de conferir o desempenho dessas abordagens ao longo da história, poderemos aprender com os erros de nossos antecessores e resgatar seus acertos, de forma a elaborar ou organizar a versão que se revele a mais apropriada à nossa realidade. Resumindo ou, quem sabe, traduzindo: desprovidas da influência dos mercenários ou tiranos de plantão, esquerda e direita tem aspectos positivos e negativos, o que requer a promoção de uma síntese em benefício do bem comum. Todavia, a despeito da nomenclatura ou da descrição conceitual escolhida, como o indivíduo jamais se confundirá com o coletivo, quem quiser criar, produzir, adquirir, chamar de seu etc. tem que ter este direito assegurado, o qual, claro, não deve ser absoluto. Semelhantemente, quem não quiser construir, chamar de seu etc., contanto que contribua de alguma forma para a manutenção de sua comunidade, tem que ter este direito assegurado, o qual, por certo, também não poderia ser absoluto. Noutras palavras, seja vivendo em comunidade, seja vivendo em sociedade que respeita a propriedade privada, que cada um se responsabilize pela vida que escolheu, sem interferir na vida de quem fez opção lícita diversa da sua.
Escolhas e responsabilidades
Ariovaldo Esgoti
28/07/2017