Tenho observado que as discussões mais acaloradas não deram conta de expor objetivamente, ou melhor, com simplicidade e clareza, o conceito de capital intelectual, de forma que qualquer mortal conseguisse compreendê-lo. Então, caro leitor, se sua necessidade é a de uma abordagem acadêmica, devo adverti-lo de que não encontrará aqui um texto apropriado para o meio, pois me nortearei por metodologia diversa da que normalmente conduz os profissionais da pesquisa. Já me questionei inúmeras vezes sobre o que era, de fato, capital intelectual, e por mais que procurasse não encontrava uma obra ou mestre que traduzisse o conceito satisfatoriamente. Preciso reconhecer que, atualmente, muita informação tem sido divulgada sobre o tema, embora, às vezes, contraditórias, confusas ou, excessivamente, complexas. A análise dos termos capital e intelecto já nos permitiria a compreensão de que se trata do domínio de algum tipo de técnica pelo ser humano, que, para si ou para outro, obtém lucros. Lembro-me de já ter lido entre os clássicos da gestão empresarial que o indivíduo estaria alienado quanto à sua condição na sociedade e, assim, no mundo empresarial, ou seja, que perdeu a consciência de que por meio das técnicas de que se utiliza é gerador de resultados. Devo ser franco com ambos, o empresário e o empregado - colaborador, como preferem alguns: não há empresa bem-sucedida sem que nela atuem profissionais, aqueles que detêm o conhecimento sobre a produção de bens ou serviços. O trágico é que o estado de alienação mencionado não se restringe aos trabalhadores. Com belas exceções, o empresariado também se vê cativo desse mal, esquecendo-se, se é que já esteve consciente, de que o que amplia o seu capital, economicamente falando, é o capital intelectual daqueles que, de fato, mantêm os empreendimentos em marcha. O outro lado da moeda? Bem, até que ponto o trabalhador, o profissional, está consciente de que o seu desempenho, o seu progresso, é viabilizado pelo capital intelectual, o fator estratégico, do empresário e investidor, ou o capital econômico com o qual ele estrutura e conserva o projeto empresarial? Com essa breve abordagem é possível perceber que um não vive sem o outro, que ambos representam facetas daquilo que poderíamos denominar de patrimônio intelectual, porquanto se ao capital do empresariado houver a adição do capital representado pelos profissionais que desfilam por este país, todos com acesso à justa rentabilidade, o sucesso estaria muito mais próximo, seguramente.
O que você devia saber sobre o conceito de capital
Ariovaldo Esgoti
24/09/2007