O que é e quanto vale a empresa


Ao refletir sobre o mundo empresarial e, especialmente, sobre os empreendimentos que visam ao lucro em suas operações, aprecio fazê-lo a partir da premissa de que toda aplicação financeira se justifica com o acúmulo de resultados positivos, os superávits. Embora o conceito de lucro empresarial seja um pouco mais complexo, incluindo outros elementos além do econômico, é fato que se não houver o crescimento do patrimônio líquido - o montante aplicado acrescido dos ganhos acumulados - a empresa não subsistiria, pois, ultrapassado o limite em que as perdas são suportáveis, a sobrevida pode ser comparada a um quadro patológico como o do câncer terminal. Essa linha de raciocínio me leva a destacar a importância dos fluxos financeiros (fluxos de caixa) dos projetos empresariais, porque, se confirmarem a tendência de superávits, estaria caracterizada a viabilidade do negócio. Respeitadas as variáveis que exigem o tratamento apropriado, é possível afirmar que o valor da empresa em funcionamento é representado pelo seu patrimônio líquido (os bens e direitos deduzidos das obrigações) acrescido dos resultados futuros, montante este apurado por um prazo que represente o período ideal para o retorno do investimento. Naturalmente, o investidor externo deveria ajustar esse montante, pois o investimento seria atrativo em função do custo de oportunidade (a melhor alternativa de aplicação) que seja pertinente ao interessado. Esta é uma das principais razões para a utilização de determinado percentual como redutor, principalmente. Outro fator importante é a definição do que se deva entender por empresa, visto que de sua compreensão emergem implicações que podem influir diretamente na geração dos resultados empresariais. Em linhas gerais, empresa é uma ficção jurídica adotada para a proteção do patrimônio destinado a determinado fim, devido à união de pessoas (no caso das sociedades) que decidem utilizar recursos para explorar oportunidades mercadológicas. Essas pessoas estabelecem um plano de negócios e concentram os esforços em sua consecução. Se faltarem recursos financeiros ou tecnológicos, a empresa ainda conservará sua característica essencial e, desde que planeje e execute adequadamente as medidas de transição, teria condições para permanecer no mercado. Mas, o que vem a ser essa característica essencial? Objetivamente, a essência é o recurso que ao ser retirado do empreendimento, aniquila-o. Creio que um exemplo possa auxiliar na compreensão do conceito. A empresa de tecnologia tem em seus engenheiros o recurso essencial que lhe possibilita acessar o mercado para viabilização de seu plano. Com exceção desse quadro técnico, se houver perda de recursos, tal empresa ainda teria a possibilidade de permanecer, bastando que adotasse um plano de recuperação eficiente. No entanto, se o recurso atingido fosse o humano (os engenheiros), não sendo realizada a sua substituição de forma a ser mantida a equivalência técnica, a empresa não teria como sobreviver, e os investidores amargariam perdas expressivas. Cabe a ressalva de que o ambiente empresarial, seja interno ou externo, possui elevada complexidade, pois vários são os elementos que nele interagem, exigindo muito dos gestores; todavia, se houver mercado e capital, o investidor necessitaria de colaboradores, parceiros estratégicos, sob pena de ser inviabilizado o projeto.



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