Vários são os fatores que concorrem para a desestruturação dos empreendimentos, colocando à disposição dos gestores inúmeras justificativas ao marasmo que permeia as suas ações. O acirramento da concorrência, a desqualificação da mão-de-obra, a defasagem tecnológica e as altas taxas de juros, dentre outros, são fatores que têm servido para esclarecer a opinião pública sobre as dificuldades enfrentadas pelo empresariado. Mesmo algumas consultorias especializadas têm cooperado com esse quadro, elencando todos os motivos pelos quais a empresa não obtém sucesso em seu segmento. Não se trata simplesmente de ignorar tais fatos, pois a arte de bem administrar pressupõe o rigoroso monitoramento sobre todas as variáveis, sejam controláveis ou não. O que deve ser questionado é se a política da busca de desculpas para os fracassos pode, realmente, conduzir a algum lugar. Se, em vez de uma empresa, estivéssemos diante de um indivíduo nessas condições, possivelmente nos sentíssemos tentados a encaminhá-lo a algum tipo de terapia para que o transtorno fosse identificado e tratado adequadamente. Nas empresas o processo tende a ser mais complexo, inviabilizando essa possibilidade, pois, há facetas do problema que somente se manifestam com a interação dos membros da equipe. A boa notícia é que alternativas têm sido concebidas para contenção dos efeitos indesejáveis dessa patologia, com redução ao mínimo dos danos estruturais. Dentre as opções, cabe destaque à adoção de transparência na gestão e de medidas que levem ao comprometimento de toda a equipe, além da difusão do objetivo geral da empresa. O gestor que têm a ousadia para compartilhar com os seus colaboradores a missão do grupo têm maior chance de conquistar a adesão de todos, de vivenciar a transformação dos projetos e de testemunhar a expansão do conceito de lucratividade, o qual assume uma nova perspectiva ao considerar que, por exemplo, a plena satisfação da clientela e mesmo o crescimento dos colaboradores implicaria em sucesso dos negócios. Vale lembrar que, em última análise, a missão da empresa não é, necessariamente, a que consta nos murais e, sim, a que é defendida com tenacidade por aqueles que lhe dão o real sentido.
A empresa melancólica
Ariovaldo Esgoti
12/11/2007