Inicialmente, cabe o esclarecimento quanto ao sentido do termo ética neste artigo, o qual será considerado a partir da derivação do conceito, ou seja, como conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade (Dicionário Houaiss). Há quem defenda que ética e negócios não sejam compatíveis, pois empresários estariam dispostos a ignorar quaisquer valores ou preceitos em defesa da lucratividade de seus empreendimentos. Embora não se possa desprezar o fato de que alguns, realmente, ajam dessa forma, uma parcela expressiva do empresariado segue o código vigente na sociedade, porque reconhece que o verdadeiro lucro não resulta apenas do montante gerado pelas transações, compreendendo que deve ser levado em conta também o método utilizado para obtê-lo. Ainda é possível encontrar representantes de um capitalismo selvagem, mas a empresa responsável tem consciência de que o lucro - elemento indispensável nos negócios - pode e, na realidade, deve ser alcançado por meio de estratégias que tenham por fundamento princípios que apóiem o bem de toda a sociedade. A questão é complexa, há que se reconhecer, todavia a atitude de vender-se por uns trocados continuará reprovável, já que revela ausência de respeito próprio e por todo o grupo, não havendo cifras que tornem tal atitude merecedora de elogios. Nesse sentido, para que o empreendimento proporcione os resultados planejados, a administração precisa dedicar atenção ao grau de coerência evidenciado pelas ações da empresa, pois não seria muito útil a defesa de um discurso inflamado por nobres princípios, enquanto na prática, ao se relacionar com fornecedores, clientes, agentes governamentais e colaboradores, dentre outros, se pautasse por procedimentos reprováveis. Pode parecer que a ética aplicada às relações empresariais comprometa o resultado, visto que o lucro imediato tem a probabilidade de vir em menor escala, porém, considerado o pressuposto de continuidade das operações, no médio e no longo prazo a empresa teria condições para se manter competitiva devido, principalmente, à força da marca, a qual é construída a partir da confiança que evoca em seu mercado. Mesmo que se admita a possibilidade da existência de marcas fortes que tenham se fundado no desrespeito à sociedade, o tempo costuma ser implacável com tais posturas, invariavelmente, conduzindo o empreendimento em uma espiral descendente, em outras palavras, à derrocada. Não é possível afirmar, a despeito do desejo de fazê-lo, que as empresas responsáveis confirmarão sua viabilidade econômica e financeira, pois vários são os elementos que concorrem para a determinação do resultado dos projetos empresariais. Contudo, em perspectiva ampla, as estratégias que assegurarão essa viabilidade requerem a ética como vínculo de coesão entre os seus elementos, para que a empresa desencadeie o impacto que lhe permita conquistar a confiabilidade, solidificando sua marca, sendo apropriado o destaque de que os programas publicitários patrocinados pela administração devam vir como medidas complementares à real publicidade que se evidencia em suas relações com os terceiros envolvidos. Logo, a ética e os negócios não apenas são compatíveis, como, em sentido estrito, à luz do clamor por justiça que emana da sociedade, são indissociáveis.
A ética como fator estratégico nos negócios
Ariovaldo Esgoti
19/11/2007