O fluxo de caixa como termômetro da rentabilidade


Os sistemas de informações gerenciais têm o potencial de disponibilizar os subsídios que a administração necessita para o processo decisório, permitindo aos dirigentes, por meio de indicadores apropriados, o monitoramento da performance do empreendimento. Vários são os instrumentos para mensuração do desempenho e a cada modelo podem ser vinculados aspectos positivos e negativos, entretanto, quando o assunto é a determinação da viabilidade, do potencial de geração de lucros de um projeto, bastará o acesso ao seu fluxo de caixa futuro para que sejam identificadas, com razoável segurança, as perspectivas do negócio. Deve ser respeitada a preferência daqueles que se utilizam exclusivamente da demonstração do resultado do exercício projetada para essas análises, pois, a despeito da precariedade potencial da informação, revela alguns aspectos importantes do regime econômico da empresa. Alguns, talvez, esboçassem resistência em graus variados diante da assertiva anterior, a de que a informação fornecida pela DRE é insuficiente, todavia devem considerar que do fato de que houve determinado montante de faturamento não decorre, necessariamente, que haverá a efetiva liquidez. Exposto de outra forma, o lucro econômico descrito pela demonstração do resultado do exercício não implicará, inevitavelmente, na geração de lucro financeiro, ou ainda, o patrimônio da empresa cresce, de fato, com a agregação da parcela efetivamente recebida dos resultados gerados. À luz desses breves esclarecimentos, é possível identificar a importância da demonstração dos fluxo de caixa para avaliação do empreendimento, pois esse é o relatório que evidencia a tendência de geração de recursos pela empresa. Naturalmente, algumas providências adicionais deverão ser tomadas para que essa demonstração desvende o futuro do projeto, pois a mera exposição de seu histórico, ou a apuração da série projetada, será inadequada para o processo decisório. O primeiro passo consistiria no acesso ao relatório que evidenciasse o desempenho da empresa para que, em um segundo momento, com o valor presente dos fluxos de caixa, sejam apurados os fluxos futuros do negócio. Mesmo nesse estágio, há que se compreender que a realidade é um pouco mais complexa do que normalmente se supõe, característica que exigiria do analista a consideração das hipóteses que podem influenciar o modelo em estudo, como, por exemplo, políticas econômicas, revoluções tecnológicas e fatores demográficos, dentre outros. A despeito das aparentes dificuldades técnicas, o conceito relativo à demonstração dos fluxos de caixa é acessível a todos e, considerados os recursos existentes, passível de imediata utilização, pois, se a parcela realizada, recebível, do lucro for positiva, apresentar tendência ao crescimento e estiver compatível com o custo de oportunidade, representando, assim, a melhor alternativa de aplicação do investimento existente, a empresa é viável. Outra opção seria ignorar o fato de que fluxos de caixa negativos levam à bancarrota, ao fim do negócio, além das seqüelas que impõem, mas o fato é que a escolha é do empresariado e, em certa dimensão, de sua equipe consultiva.



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