Algumas coisas não têm dado certo em sua empresa? Planejar parece não fazer muita diferença? Os bancos, ao que tudo indica, não se preocupam com você? Os fornecedores bem que poderiam ser mais humanos? Os clientes deveriam comprar, pagar e não gerar transtornos? Os colaboradores deveriam entender os seus motivos, em vez de cobrarem mudanças? São inúmeros os fatores que podem ser invocados para justificar a situação atual e, com alguma criatividade, as explicações podem adquirir contornos lógicos quase inquestionáveis: o mercado é instável; a concorrência é desleal; os clientes são infiéis; os funcionários não querem compromissos; os mercenários parecem estar por toda parte... Se esta é a situação, algo precisa ser feito com urgência, pois, a manutenção do quadro, poderia dizimar o empreendimento, deixando um rastro de destruição. O lado interessante das questões humanas é que, geralmente, com o enfoque apropriado, podem ser controladas, transformadas ou, ao menos, ajustadas aos níveis de risco aceitáveis para os projetos. Talvez haja necessidade de acompanhamento por profissionais de áreas especializadas, entretanto mudanças importantíssimas podem ser desencadeadas pelo empresariado, visto que, em boa medida, é o responsável por vários dos problemas que as empresas enfrentam. Antes que os protestos tomem forma, alerto para o fato de que a empresa é a manifestação das ações desencadeadas pelos empresários, já que são estes que, ainda que não o façam pessoalmente, estimulam os processos que culminarão com a definição de cada aspecto relativo ao projeto empresarial, como, por exemplo, mercados, tecnologia e recursos. Aonde a empresa está? Qual o objetivo a ser atingido com os projetos? De que forma os alvos poderão ser concretizados? Quais são e como devem ser tratados os recursos necessários ao êxito do empreendimento? Como as etapas poderão ser controladas para que seja verificada a adequação das medidas? As respostas a estas perguntas, dentre outras, estabelecerão o perfil empresarial, norteando cada passo a ser desenvolvido pelos dirigentes. Esse conceito demonstra que se as soluções apresentadas aos problemas do dia-a-dia da empresa se pautarem por justificativas com as expostas no início deste artigo, a administração da empresa teria papel preponderante na caracterização de cada uma das situações que coloquem o empreendimento em risco de redução da lucratividade ou de sobrevivência. A saída, por assim dizer, está em se identificar o grau de conformidade existente entre o discurso e a prática e agir no sentido de controlar as eventuais diferenças, sob pena de a conta se tornar impagável. Quando o ser humano assume a responsabilidade como causador de seus males e de suas benesses, uma das principais conseqüências é a percepção de que a situação nem sempre é tão grave quanto parece, tornando-se possível o reconhecimento de que os obstáculos, embora difíceis, podem ser superados. Para tanto, alguns passos simples podem ser dados, tais como: conscientização de que o ambiente (fornecedores, clientes, parceiros, colaboradores...) pode ser transformado; implementação e controle do plano de negócios; investimento na manutenção de diferencial competitivo, especialmente, em tempos de vacas gordas; e vigilância do orçamento e dos controles financeiros da empresa; dentre outros. A implicação é que o maior inimigo do projeto empresarial pode ser convertido em aliado, bastando que seja assumida a posição de sua preferência. Resta indagar: qual será a sua escolha?
Identificando o inimigo
Ariovaldo Esgoti
03/12/2007