Balanço Patrimonial - elementos introdutórios


Quando se pensa em contabilidade, especialmente no cenário empresarial, a imagem que se sobressai é a daquele relatório exigido pelos órgãos governamentais (para cumprimento de obrigações acessórias), por instituições financeiras (como requisito à validação cadastral) ou pelo mercado (como evidência do grau de qualidade da gestão dos recursos movimentados).

O Balanço Patrimonial revela importantes informações sobre o desempenho da entidade alvo dos registros, tornando possível o acompanhamento da evolução do investimento realizado pelo sócios (ou acionistas, dependendo do caso), desde a fase inicial do projeto.

Embora de estrutura difundida, visto que as empresas em geral dele se utilizam, sua compreensão nem sempre é acessível aos leitores que se aventuram a interpretá-lo, os quais se deparam com termos como ativo, passivo, circulante, longo prazo e permanente, dentre outros, sem decifrá-los, consistentemente.

Mesmo as empresas que mantêm um sólido sistema de informações gerenciais, dele se utilizando no processo decisório, costumam não se sentir à vontade com o modelo oficial dessa demonstração, substituindo-a, por uma versão que evidencie aquilo que realmente importa, sem se perder com terminologias e disposição que mais satisfazem aos técnicos e burocratas.

Como qualquer área do conhecimento humano, a Contabilidade tem um lado que aparenta servir mais àqueles que lhe devotam a vida, na condição de pesquisadores, principalmente. No entanto, um exame acurado de seus princípios revelará que os usuários de tais informações podem se beneficiar e muito com a compreensão dos elementos que desvendarão o seu significado e alcance.

Em linhas gerais, o Balanço Patrimonial pode ser visto como registro contábil da posição patrimonial de uma organização, em dado momento, indicando a origem (passivo) e a aplicação (ativo) de seus recursos (Dicionário Aurélio).

Este conceito é vital para o entendimento das informações ali contidas, pois estabelece o critério que deverá nortear o seu exame: o ativo, como designador dos investimentos (aplicações) e o passivo, como representação das fontes (origens) de recursos.

Isto posto, o usuário da informação poderá perceber que os elementos que aparecem descritos como ativos circulante, realizável a longo prazo e permanente dizem respeito aos investimentos realizados pelos gestores da empresa (ou outra entidade), ou seja, a evidência da forma como os recursos foram aplicados.

É importante a compreensão de que as chamadas aplicações de curto prazo (o que se realiza até o final do exercício seguinte) são classificadas no ativo circulante, enquanto os investimentos de longo prazo são registrados em grupo próprio, embora assemelhados em essência.

Já o ativo permanente representa as aplicações não transitórias como é o caso, por exemplo, do imobilizado, o qual participa diretamente da consecução dos objetivos da empresa.

Por analogia, o analista das informações contábeis poderá perceber que os passivos circulante e exigível a longo prazo se referem às fontes de recursos, as quais representam as obrigações assumidas no andamento das atividades regulares da organização, para o seu financiamento.

Vale lembrar que características peculiares à empresa podem levar à utilização dos resultados de exercícios futuros (no passivo), área na qual são apurados, mediante confrontação de receitas, custos e despesas, os saldos de operações futuras, assim entendidas aquelas que não impliquem em risco de devolução dos recursos movimentados, hipótese que ensejaria o seu reconhecimento nas seções competentes (ativo e/ou passivo; curto e/ou longo prazo).

Ao deduzir o passivo do ativo existente, o usuário irá constatar que está diante do Patrimônio Líquido da empresa, podendo avaliar a política de reinvestimento adotada pelos gestores, bem como as garantias existentes em função do grau de comprometimento de seu capital próprio.

Mediante a comparação da situação líquida apresentada pelo projeto empresarial em determinada série de exercícios, os usuários das informações contábeis terão diante de si os indicadores de desempenho, os quais, mantidas as políticas e estratégias, revelarão a tendência esboçada pelo empreendimento.

A despeito de alguns desafios que o caso concreto trará, o crescimento do Patrimônio Líquido pela agregação de resultados positivos (lucros) indicará o fortalecimento da empresa, enquanto a sua diminuição oriunda de resultados negativos (prejuízos) evidenciará o enfraquecimento do projeto.

Tal conclusão deverá ser revista periodicamente, pois a dinâmica do ambiente empresarial demonstra que não há quadro de prejuízo que dure para sempre, assim como de lucratividade que persista indefinidamente.

Portanto, o Balanço Patrimonial, se examinado de forma apropriada, pode desvendar a história e a situação atual da empresa, adicionalmente, revelando suas perspectivas, aspectos esses de interesse não apenas dos investidores (sócios ou acionistas), mas de toda a sociedade.



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