Em sua acepção essencial, investimento é a aplicação de recursos com a finalidade de obtenção de ganhos, especialmente, no contexto empresarial, mediante a adoção de um plano estratégico respaldado por projetos econômico-financeiros que tenham como pressuposto a viabilidade do negócio.
Embora reconheça a validade de outras perspectivas aplicáveis à análise dos resultados alcançados pelas empresas, deter-me-ei no método do valor presente dos fluxos de caixa futuros, pois, além de acessível ao público em geral, foi recepcionado pela legislação societária (Deliberação CVM n° 527/07, e Lei n° 6.404/76, art. 183, § 3.°, com redação dada pela Lei nº 11.638/07).
Os recursos aplicados pelos sócios (ou acionistas) em determinado negócio são alocados de forma a que permitam o retorno do investimento nas condições idealizadas no projeto empresarial, através de um fluxo de resultados, o qual tem no marco "zero" o investimento propriamente dito e nos períodos subseqüentes os retornos almejados.
Para determinar a viabilidade do projeto, dentre outros, o gestor precisará detectar se o "valor presente" deste "fluxo de caixa futuro" proporciona o retorno compatível com o custo de oportunidade estabelecido como parâmetro de comparabilidade, em outros termos, deverá conhecer antes de iniciado o "programa" a lucratividade que o "aguarda" na execução do plano, avaliando se é ou não satisfatória.
Realizados os estudos apropriados, o gestor tem condições de identificar a tendência de seu investimento, podendo determinar com grau razoável de precisão o momento a partir do qual o capital investido retornará e o período em que os lucros estarão disponíveis.
De posse das bases de seu projeto econômico-financeiro, deve fixar, mediante sua assessoria, se necessário, as variáveis que poderão interferir em seu empreendimento, preparando-se para os cenários mais prováveis, visto não ser prudente aguardar a "materialização" dos eventos para, então, se adequar a eles.
Com o andamento do plano de negócios, à equipe gestora caberá acompanhar os eventos, avaliando meticulosamente as distorções para que em tempo hábil promova as adaptações que se revelarem indispensáveis, sob pena de inviabilizar o projeto.
Esta cautela é perfeitamente justificável, pois não faria muito "sentido" deixar a empresa à "deriva", já que o mercado costuma não "tolerar" a "displicência" em sua organização.
É importante, ainda, o reconhecimento de que tal critério, o de análise do valor presente dos fluxos de caixa futuros, assim como é aplicável a unidades de resultado o é a ativos específicos, característica que torna possível o controle do desempenho de cada área da empresa, permitindo que o investidor realize as inferências sobre a viabilidade ou não de serem mantidas.
Cabe o alerta para a necessidade de que essas análises ultrapassem a dimensão econômico-financeira direta, pois nem sempre unidades não lucrativas são um "mal" em si. Há situações, e não são casos raros, em que a manutenção de um ativo ou de uma unidade não rentável é condição indispensável ao desempenho da empresa como um todo, devendo, portanto, permanecer.
Por derradeiro, devo ressaltar, que o investidor, aquele que, ao fim, "paga a conta", deve manter "íntima relação" com seu sistema de informações gerenciais, primando por relatórios contábeis que lhe confiram o diferencial do acesso ágil a informações de alta qualidade, aspecto este, às vezes, tido como "lugar comum", porém determinante para o êxito das análises, e, em regra, o "ponto" vulnerável dos negócios.