A eficácia na gestão empresarial


Desde o advento da administração científica, tem sido extremamente fértil a elaboração de métodos voltados à melhoria da performance das empresas, com ênfases que passam por processos, recursos humanos e estratégias, dentre outras.

É inegável a contribuição advinda de cada um dos sistemas propostos pelos pesquisadores, especialmente, quando a teoria ultrapassa o academicismo, revelando o seu valor no dia-a-dia.

Devo reconhecer que este espaço é inadequado à realização de análises sobre as particularidades relativas às metodologias, fato que me leva à seleção de uma das propostas. Devido a questões de foro íntimo, voltarei minha atenção à abordagem oferecida por Eliyahu Goldratt, físico israelense que revolucionou a "administração da produção" ao apresentar a "Teoria das Restrições" (BWD, 2002, Manufacturing: Theory of Constraints, p. 12).

O que torna a metodologia ainda mais atraente é o fato de que seus princípios são aplicáveis a quaisquer organizações, ultrapassando, assim, o universo fabril, além de privilegiar a adoção de processos de raciocínio na condução dos empreendimentos.

Resumidamente, o sistema leva os responsáveis pela gestão a se esmerarem na otimização contínua das técnicas adotadas, por meio da observância de cinco etapas: "1) identificar a restrição do sistema; 2) decidir como explorar a restrição do sistema; 3) subordinar tudo o mais às decisões acima; 4) elevar a restrição do sistema; 5) se num passo anterior a restrição for quebrada, volte ao primeiro passo; mas não deixe que a inércia se torne a restrição do sistema".

Para o autor, a restrição de um sistema, no caso, o empresarial, é concebida como um fator de limitação que, enquanto permanecer ativo, impede o crescimento da atividade e a ampliação das margens operacionais.

Um dos pressupostos elementares é que todo sistema sofre os efeitos de alguma restrição, pois, se assim não o fosse, a lucratividade seria ilimitada. Então, é imprescindível o reconhecimento sobre qual é o fator de limitação vigente. Deve-se rastrear a empresa em busca dos pontos de vulnerabilidade.

Identificada a área problemática, não há outra saída para a superação, é de capital importância o enfrentamento. Deverão ser avaliadas as alternativas para determinação da prática que melhor se ajuste aos objetivos da empresa, no contexto dos recursos existentes ou passíveis de serem acionados.

Na medida em que as etapas são desenvolvidas, evidencia-se a importância do processo de raciocínio, visto ser essencial para o êxito almejado a coerência entre as decisões e ações voltadas ao aperfeiçoamento das áreas atingidas. As operações devem ser realinhadas de forma a ser alcançado o máximo desempenho da estrutura.

Conseqüência natural destas medidas é a remoção dos fatores que limitam a empresa, o que ocorre inequivocamente com o seu enfrentamento. Reinicia-se o ciclo. Assim, outras áreas deverão ser esquadrinhadas.

Nossa cultura valoriza e acertadamente a comemoração do sucesso alcançado. De fato, é de suma importância, principalmente para o moral da equipe. Mas, adverte Goldratt, "não deixe que a inércia se torne a restrição do sistema".

Outro aspecto que convém destacar sobre a metodologia é a flexibilidade com que pode ser colocada em prática, pois, reconhecendo a diversidade da experiência humana, advoga-lhe o direito à adequação ao caso concreto.

Finalmente, para concluir esta breve exposição, devo enfatizar que os passos apontados devem ser fruto de acurada reflexão, pois as dificuldades oriundas das restrições inexploradas são apenas efeitos indesejáveis que apontam para uma sucessão de eventos que os precedem como causas, as quais precisam ser confrontadas com tenacidade. A conclusão satisfatória do processo levará a empresa, certamente, a melhores níveis de retorno de investimento, visto que as alternativas mais adequadas serão previamente selecionadas.



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