A despeito de o período atual ser extremamente favorável ao desenvolvimento de negócios, muitos empreendimentos naufragam, trazendo desapontamentos e, invariavelmente, perdas expressivas àqueles que apostaram suas vidas nos projetos.
É comum empresas com atividades similares se lançarem à sorte em áreas próximas: enquanto uma prospera, a outra sucumbe. Por vezes, profissionais formados pela mesma instituição ou equivalente: enquanto um obtém êxito em sua carreira, o outro permanece à margem. Os exemplos de situações desta natureza são abundantes.
Muitos se questionam sobre se há algum elemento que, se adequadamente controlado, pudesse fazer diferença no mercado. Algum recurso que conferisse ao portador o dom de gerenciar os riscos e, se necessário, subsistir a desastres.
Caro leitor, convém desde já adverti-lo de que não há sensatez na atitude de sonhar com a "chave mágica", aquele recurso que, contrariando as leis naturais, livre o seu portador dos efeitos de ações que tenham disparado toda gama de infortúnios.
Naturalmente, é preferível enfrentar situações difíceis com uma atitude otimista, fazendo o uso de preces ou seja lá o que for que ajude a ampliar a percepção, sem comprometer a sua saúde e a dos seus. Entretanto, deixar de fazer o dever de casa e apostar a sua vida e a das pessoas que dependem da empresa em sessões que mais servem para distrair, visto que não conseguem apresentar resultados efetivos é, no mínimo, desperdício de tempo. O motivo é simples: problemas são resolvidos somente quando enfrentados.
Como são várias as técnicas para a geração de idéias e busca de soluções, em outro momento abordarei diretamente a questão metodológica para análise de algumas das possibilidades de aplicação. Por enquanto, é importante refletir sobre o recurso que pode representar o diferencial competitivo do empresariado: a gestão do conhecimento.
Esta é a era da tecnologia, é claro, e é improvável que alguém permaneça competitivo sem que a tenha em profusão. Entretanto, esta é também a era do conhecimento, já que, indiscutivelmente, é o agente que leva à proficiência no uso dos recursos cooptados ao empreendimento.
Mas, não qualquer tipo de conhecimento e, sim, o que, legitimamente, confira vantagens estratégicas àquele que o traz consigo. Sem que a lista seja exaustiva, pode-se considerar o conhecimento sobre: negócio, produto (ou serviço), custos, tendências, planejamento, gestão de pessoal, forças e fraquezas.
O empreendedor que conhece o negócio em que atua age com foco, valorizando os recursos disponíveis. Acompanha de perto os anseios de seu público e se mantém um passo à frente da concorrência. Está ciente de que suas perspectivas são ditadas pelos interesses e necessidades dos clientes, pelos quais nutre um profundo respeito e admiração.
O caminho para este entrosamento não é outro que não o fornecimento de produtos (ou serviços) de máxima qualidade. O gestor compreende que aquilo que disponibiliza ao seu público deve atender as especificações, avançando rumo à plena satisfação.
Produtos (ou serviços) de qualidade precisam custar mais? Não, necessariamente. Na realidade, se bem apurado, é simples constatar que a ausência de qualidade é um dos grandes responsáveis pelas baixas margens. E se custar um pouco mais, o cliente, ainda, é capaz de preferir sua marca à da concorrência? Julgue por si.
Fica claro que informação é a alma do negócio, então, não dá para se descuidar do controle dos custos. É preciso saber qual a contribuição de cada elemento do custeio e se o método de apuração é adequado, além de satisfatório diante dos requisitos legais.
É sempre oportuno indagar sobre qual a tendência do mercado. As margens conservam perspectiva de crescimento? O que deve acontecer com os indicadores de desempenho diante de oscilações da economia? Como estará a tecnologia nas próximas décadas? E quanto às necessidades e interesses do consumidor?
Tais informações são de relativa amplitude e não podem ser mantidas na memória do gestor, sob pena de extenuá-lo. Para isto há sistemas de informações gerenciais, os quais podem ser adaptados à realidade do negócio, afinal, planejar é preciso e indispensável.
Como para o cliente a empresa é o grupo de pessoas com as quais se relaciona, de nada adiantará contar com equipamentos de última geração e instalações suntuosas se os colaboradores não estiverem motivados para um atendimento de altíssimo nível. Os recursos humanos, assim como os demais, devem ser geridos com extrema competência.
Há vários outros aspectos, entretanto, devo ressaltar ainda o imperativo do autoconhecimento, ou seja, a identificação sobre quais são os pontos fortes e pontos fracos da empresa, para que os gestores saibam como gerenciar os riscos e as oportunidades de negócio deles decorrentes.
Na realidade, o conhecimento é a alma do negócio e sua gestão adequada é o método por excelência para reversão das estatísticas mencionadas no início. De fato, o que inviabiliza inúmeros projetos ou são informações estratégicas incompletas ou sua completa inexistência.