Controlando o desempenho do projeto


Ao colocar parcela de seus recursos na empresa, o investidor alimenta a expectativa de atingir níveis de retorno sobre o investimento que justifiquem os esforços ali despendidos, embora, em regra, esteja ciente da existência de outros aspectos que podem influenciar de forma relevante a performance do projeto, especialmente, políticas que caracterizam a responsabilidade social.

Mesmo preocupações com a preservação do meio ambiente e com a comunidade em geral não escapam às análises da relação entre custo e benefício, visto que, se o segundo for diminuto e tendente à extinção, não haverá razões fortes o suficiente para legitimar a continuidade das operações empresariais.

São tantas as propostas sobre como gerir os empreendimentos que muitos se sentem atordoados quando procuram um método que se ajuste às suas necessidades, abarcando as mais variadas fases do empreendimento. É inevitável realizar algumas indagações. O que fazer? Como identificar a viabilidade do negócio? Como controlar o desempenho da empresa? Qual método deve ser utilizado?

Em reconhecimento à eficácia e simplicidade do modelo, em outra ocasião, apresentei as etapas propostas pela Teoria das restrições, destacando o ciclo que deve permear o processo decisório para otimização do potencial de rentabilidade:
1) identificar a restrição do sistema; 2) decidir como explorar a restrição do sistema; 3) subordinar tudo o mais às decisões acima; 4) elevar a restrição do sistema; 5) se num passo anterior a restrição for quebrada, volte ao primeiro passo; mas não deixe que a inércia se torne a restrição do sistema. (Artigo: "A eficácia na gestão empresarial")

Como extensão, abordarei as medidas de desempenho previstas no método, as quais podem proporcionar ao empresariado o acesso à técnica que ampliará a compreensão sobre o processo de planejamento e controle de suas operações.

Basicamente, são duas as medidas: a operacional e a financeira. Do lado da primeira, devem ser ressaltados: ganho, investimento, e despesa operacional. Quanto à segunda, destacam-se: o lucro líquido, retorno sobre o investimento e fluxo de caixa (artigo "Um passeio pela TOC", publicado por Jonah Consultoria Empresarial).

Para que os objetivos sejam alcançados, os gestores devem identificar se o ganho (o índice pelo qual a empresa gera recursos através das vendas) é satisfatório, ou seja, se a margem de contribuição (as vendas deduzidas dos custos diretos) representa um montante que seja adequado para a cobertura dos demais indicadores.

Embora a empresa, em regra, não tenha como finalidade a estocagem ou a imobilização tais investimentos são necessários em algum grau. É preciso identificar os níveis mínimos de investimento (todo o recurso que a empresa investe na compra de coisas que pretende vender) que proporcionarão o retorno máximo.

Neste modelo, os demais gastos são classificados como despesa operacional (todo o recurso que a empresa gasta para transformar investimento em ganho) sem que haja a preocupação com divergências doutrinárias ou prescrições normativas, pois o sistema de informações possui finalidade gerencial, prioritariamente.

Encerrado o período visado nas análises, é necessário identificar o lucro líquido (a última linha da demonstração do resultado do exercício) alcançado, cabendo destaque para o fato de que os custos e despesas que não variarem proporcionalmente às vendas devem reduzir de imediato o resultado do período, visto que a prática de integrá-los aos estoques serviria apenas para disfarçar a ineficácia da empresa.

A correta apuração destes indicadores conduzirá à descoberta do grau de retorno sobre o investimento (dado pela relação entre o lucro líquido e o investimento) apresentado pelo negócio, permitindo, em função das características do sistema de informações vigente, segregar as performances por áreas estratégicas, em outros termos, por centros de resultado.

De forma extremamente didática, o monitoramento destes indicadores permitirá a adequação dos níveis de riscos às dimensões que sejam aceitáveis para o empreendimento, revelando se a empresa está avançando na direção certa.

Entretanto, há um aspecto que precisa ser observado com extrema cautela pelos dirigentes: o fluxo de caixa (requisito orçamentário para sobrevivência da empresa). Quaisquer descuidos nesta área ampliam o potencial de serem geradas perdas, seja devido à dependência de agentes financeiros (em função das elevadas taxas de juros), seja pelo comprometimento da qualidade dos processos que culminariam com a insatisfação da clientela.

Em suma, não se trata de a empresa desprezar as políticas sociais e questões éticas decorrentes do empreendimento, e sim de se esmerar pelo alcance da condição que lhe permitirá a prática consistente de ações responsáveis, pois, sem fontes apropriadas para o seu financiamento, sua defesa não passará de mera retórica.



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