A carga tributária como indicador da rentabilidade


Conheci empresários que realizaram um esforço colossal na tentativa de transformar empreendimentos deficitários em projetos rentáveis e se viram frustrados ao constatar que a qualidade da riqueza gerada era inversamente proporcional à dimensão dos recursos aplicados, e isto por uma razão relativamente simples: maior volume de vendas não implica, necessariamente, em maiores lucros.

Pode até parecer um paradoxo, mas há ocasiões em que vendas menores incrementam o resultado. Contudo, vamos com calma, pois, mesmo em tais casos, o faturamento poderá ser reduzido somente até um certo ponto, além do qual o risco de perdas se agigantará.

Um exame cauteloso do mercado nos levará à percepção de que ambas as estratégias têm funcionado em segmentos distintos. Ora encontramos empresas com margens diminutas, buscando a rentabilidade por meio de aumento no giro de seus produtos, ora nos deparamos com aquelas que, tendo reduzido a circulação de bens ou serviços, ampliaram a relação entre faturamento e lucro.

Em regra, nos sentimos tentados a invocar uma lei ou princípio, cujo enunciado gere em nós a impressão de que detemos o controle dos eventos e que, portanto, podemos encaminhar o empreendimento para o lugar de nossa preferência. Ledo engano, é preciso reconhecer que este jogo se desenrola de forma praticamente livre, ou seja, que, na realidade, controlamos muito pouco.

Agora, isto não significa que devamos deixar o barco à deriva, visto que, se identificadas as características da boa navegação, teremos condições de transformar a travessia em uma experiência profundamente enriquecedora, ampliando o potencial de a vida nos brindar com inúmeras benesses.

De fato, quando reconhecemos que o mercado tem suas próprias leis e buscamos identificar os requisitos que pesam sobre nossos ombros na condição de gestores descobrimos que com o pouco que nos cabe temos a possibilidade de virar o jogo, tornando-o favorável à nossa performance.

Certa vez, afirmei a um grupo de empreendedores que para ampliação da rentabilidade de seus negócios era preciso que passassem a pagar mais tributos. Dá para imaginar qual foi a reação generalizada: "de jeito nenhum, já pagamos muito; se tivermos que pagar mais, quebramos de vez!"...

Com expressiva dificuldade, já que foi necessário um esforço sobre-humano para conter o alvoroço, consegui explicar que, quando o grau de organização do empreendimento é adequado, a carga tributária serve como termômetro da viabilidade, pois, independentemente da estratégia, seja a de ganho em escala ou a de retorno por margem, se a tributação é maior, a rentabilidade efetiva tende a manter coerência com a idealizada.

Vencido o sobressalto, começaram a perceber que é inevitável a incidência tributária em algum grau e que, em regra, ela cresce proporcionalmente às receitas. Ora, se a atividade estiver bem planejada, o incremento da tributação significará crescimento do resultado, o qual, por sua vez, implicará em maior rentabilidade. Em outros termos, em maior remuneração pelo capital investido.

Defendo que é preciso superar a convicção que aflige o imaginário popular, a crença de que tributos e lucratividade sejam conceitos incompatíveis, porque, geralmente, as dificuldades enfrentadas pelo empresariado não advêm dos impostos e contribuições em que incorrem pela operacionalização de seus negócios e, sim, por desajustes estruturais dos mesmos, a despeito dos desafios provocados pelo Custo Brasil.

Tomemos como exemplo o próprio fator tributário. Será que as empresas apuram estritamente os impostos e contribuições que suas atividades ensejam? O regime tributário é o mais adequado ao seu segmento? Nas operações em que créditos podem ser confrontados com débitos tributários, os levantamentos são precisos? As normas que regem a tributação são, de fato, conhecidas e, tão importante quanto, são, realmente, compreendidas?

Se fosse possível o enunciado de uma regra absoluta para a rentabilidade, eu arriscaria o seguinte: o que promove a alta performance não é nem o volume nem a margem e, sim, a inteligência, de fato, a criatividade na condução dos negócios. Naturalmente, em um contexto que contemple um grau razoável de organização e, assim, de planejamento.



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