A reciclagem pode salvar o planeta


O meio ambiente tem sofrido tal afronta com a postura que muitas vezes assumimos em nosso dia-a-dia, que fica cada vez mais difícil não nos sensibilizarmos com os brados da Natureza em prol da revisão de várias de nossas políticas, especialmente, as que comprometem de forma potencial a qualidade do mundo que nossos descendentes herdarão. Atitudes simples como deixar de contribuir para a formação de entulhos nas áreas pelas quais transitamos podem fazer grande diferença no final. Isto independentemente de o material descartado, dentre outros, ser representado por um panfleto que não nos interessa mais, pela embalagem de uma guloseima ou pelas sobras de um cigarro, se for o caso. Tem havido crescimento expressivo de propostas que destacam os benefícios da reciclagem, sendo necessário o reconhecimento de que os investimentos realizados nesta área indubitavelmente proporcionarão o devido retorno, naturalmente, se realizados a partir de um acurado planejamento. Dia desses, em um intercâmbio com um velho amigo, fui surpreendido com a notícia de que estava envolvido com a instalação de uma empresa que iria explorar a reciclagem de materiais, inicialmente resíduos de construção e, na fase seguinte, material hospitalar. O que me chamou a atenção foi que no modelo adotado a matéria-prima ingressaria no estabelecimento a custo negativo. Isso mesmo, não apenas não haveria o pagamento pelo material, como o depositante, ou seja, o responsável pelo descarte do lixo, ainda faria o pagamento de uma taxa pelo tratamento dos resíduos entregues. Que oportunidade de negócio ímpar é esta, pois, a despeito de exigir um razoável investimento, possibilita a formação de estoques a custo especial, paralelamente à agregação de receitas complementares, como no caso em questão. Fico na expectativa de que empreendimentos como este alcancem êxito, já que, além de focarem em um filão nem sempre explorado de forma adequada, aliviarão nosso mundo do risco de ter que suportar cargas potencialmente danosas. Ao refletir acerca da importância da reciclagem, sou levado a rememorar um determinado período de minha infância, quando nas aulas de literatura a professora se esforçava para despertar em nós o prazer da leitura. Sua satisfação estava em nos instigar com afirmações como: "quem lê vale mais"; "tudo passará, com exceção do conhecimento"; "com a leitura vocês caminharão ao lado de gigantes"; "a Criação é produto do Conhecimento"; dentre várias outras. "Não importa o que seja, leiam"; "se quiserem, comecem com gibis; apenas escolham aqueles dos quais mais gostem; com o tempo aprenderão a apreciar os clássicos", e por aí ela seguia. Não tenho como evitar a consideração de que, assim como a reciclagem de materiais é necessária para a salvação do planeta, a revisão de conceitos, a atualização do conhecimento o é em relação ao próprio indivíduo. Pode até acontecer que algum projeto seja profissional ou pessoal alcance sucesso acidental, mas a regra é que é preciso muito estudo e dedicação para que quaisquer empreendimentos se consolidem. Não me refiro somente ao conhecimento formal, ao acadêmico, todavia não há como desprezar a sua importância. Inclusive, há contextos que o exigem, vejam, por exemplo, o caso do exercício de profissão regulamentada. Há algumas semanas, um jornal local apresentou uma matéria sobre os avanços da neuropedagogia, chamando minha atenção o posicionamento do entrevistado. Diante da colocação de uma mãe que afirmava que o filho lia muito porque era gênio, o pesquisador a levou a considerar que, de fato, o filho era genial porque lia muito. Não se trata de mera especulação, o conhecimento pode não ser a garantia de sucesso, entretanto não há êxito que perdure sem a reciclagem das informações que acumulamos ao longo de nossa jornada.



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