Recordo-me de que no início dos anos 80 alguns dos principais nomes que despontaram no mercado de consultoria estratégica alertavam para o que entendiam que seria a ênfase no milênio seguinte, a máxima que se depreende das lições de Francis Bacon: "conhecimento é poder".
Houve um profissional em particular que exerceu forte influência sobre o meu desenvolvimento, o qual costumava destacar: "cada era tem sua ênfase; passamos pela era da qualidade; a próxima será a era da informação".
À semelhança de antigos profetas, atendendo a um senso de missão, anunciavam questões vindouras com o intuito de levar seus ouvintes à revisão de posturas, de forma a que as mudanças fossem bem assimiladas...
Realizar esta retrospectiva hoje é algo que me enche de admiração pelo espírito visionário que tem estimulado algumas das vozes que nem sempre são devidamente valorizadas pela nossa sociedade...
Em certo sentido, tornou-se lugar comum afirmar atualmente que o conhecimento seja fator de distinção para os empreendimentos, mas, apesar da aparente trivialidade que envolve o tema, é inegável que alguns o subestimam a ponto de genuínos absurdos serem presenciados: ausência de investimentos em atualização do quadro profissional; promoção de treinamentos fora de sintonia com as atividades fim e meio das empresas; e imposição de restrições a iniciativas que não se coadunem com os parcos objetivos existentes; dentre outros.
A despeito de o mundo ter se tornado muito mais complexo do que nossos antepassados poderiam conceber, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio, aquele meio termo que nos permitirá conservar a "Estabilidade em meio a mudanças".
Seguramente, a empresa que vislumbra a conquista de seu setor não poderá continuar a ser um campo de batalha, pois as infindáveis disputas internas somente servem para revelar o líder transitório do deserto, de fato, das ruínas que são desvendadas após os "furacões".
No mundo do faz-de-conta - na "telinha" ou no cinema - pode até ser interessante observar a ascensão do "cavaleiro solitário", do executivo que combateu tudo e todos para a conquista de um lugar ao "sol", entretanto, no mundo real as coisas são "um pouco" diferentes.
Embora haja momentos em que, se alguém não assumir a direção de determinado projeto, a inércia ameace a viabilidade da empresa, isto não deve ser a regra, já que ambientes saudáveis têm como marca a difusão do conhecimento.
Vivemos um período muito especial da história corporativa, em razão de que diariamente temos a oportunidade de constatar que a informação que confere poder é aquela que é compartilhada pelo grupo comprometido com os ideais do empreendimento.
Isto não chega a significar que as responsabilidades individuais tenham diminuído, pelo contrário, realça a importância do aprimoramento pessoal, o qual ao ser colocado a serviço do grupo é potencializado pela agregação de recursos oriundos dos demais participantes.
Tal peculiaridade se deve ao fato de que a "empresa é uma ficção jurídica adotada para a proteção do patrimônio destinado a determinado fim, devido à união de pessoas (no caso das sociedades) que decidem utilizar recursos para explorar oportunidades mercadológicas" (Artigo: "O que é e quanto vale a empresa"), recursos estes que não podem resultar da simples agregação de tecnologias, mas na sinergia que decorre da atitude de compartilhá-las em benefício de todos.
O quanto antes houver a compreensão de que a empresa é, na realidade, um organismo e que como tal depende do trabalho harmônico de cada uma de suas partes melhor será, pois a alternativa seria se apresentar como um "zumbi" diante da sociedade e, em especial, da concorrência.
Estendendo a voz daqueles arautos, reconheço que o ambiente empresarial é um espaço ímpar para a construção do conhecimento que pode lançar determinado projeto ao apogeu, à escalada que, indubitavelmente, se reserva ao empreendimento que assumiu a vanguarda como desdobramento de sua missão.