Superexecutivos em baixa


Nada melhor do que o tempo para que mitos sejam desfeitos.

Lembro-me de que alguns de meus antigos professores nutriam uma admiração expressiva por nomes que, praticamente, da noite para o dia, conseguiam transformar resultados inexpressivos em performance elogiável.

Esses profissionais chegavam muito próximo de serem vistos como semideuses e conseguiam reunir uma legião de seguidores. Alguns ainda alcançam marcas expressivas na vendagem de livros.

Eles inspiravam uma confiança tal que o simples fato de ser anunciado o seu envolvimento com dada organização já era suficiente para que as ações destas se valorizassem, muitas vezes, desencadeando uma legítima corrida ao mercado de balcão.

As pessoas mudaram; a economia se transformou; de fato, o mundo já não é mais o mesmo.

Hoje, o impacto de decisões singelas se faz sentir com uma velocidade e intensidade tal que não há mais espaço para as sutilezas desses magos da gestão empresarial.

É preciso reconhecer que vários desses superexecutivos - que, certamente, fizeram história - não suportariam sequer alguns segundos do primeiro "round" nos modernos empreendimentos.

O cenário anterior permitia, por exemplo, que, mesmo privada de capital intelectual, por estratégias fantásticas, como a reengenharia, visando ao enxugamento da estrutura, inclusive técnica, a empresa apresentasse uma longa sobrevida.

Atualmente, há o risco de que a simples cogitação de hipóteses como essa leve o negócio ao mergulho no inferno e isto por uma razão elementar: a rentabilidade que interessa ao investidor deixou de ser a histórica, ou seja, ninguém, em sã consciência se arrisca em projetos que foram lucrativos, simplesmente. É imprescindível que haja elementos contundentes atestando uma perspectiva favorável.

Outro fator que tem conquistado relevância perante a opinião pública é o que diz respeito aos rendimentos e bônus oferecidos aos tais. Em muitos casos, estas verbas foram pagas com sacrifícios que apareceram na demonstração de resultados somente com o decurso de alguns períodos.

Não é difícil imaginar o porque da demora: em longas estiagens, embora o nível dos reservatórios seja reduzido gradativamente, costuma passar algum tempo até que a população perceba que a barragem se tornou ineficaz.

Talvez alguém se dispusesse a sentenciar que o jogo se voltou contra os supergestores (se preferirem, "CEO - Chief Executive Officer"), contudo, segundo entendo, aconteceu algo um pouco diferente: enquanto o time vencia, com qualquer medida eles obteriam algum resultado.

É algo muito próximo do que acontece com a atuação de nosso presidente, com a economia em ordem, resta colher as glórias. Porém, com a mudança de cenário, fica a sensação de que nada do que fizer impulsivamente surtirá efeito...

Com o fortalecimento do adversário, de fato, em sentido amplo, com a mudança de regras do jogo, se as estratégias não forem revistas em tempo, a derrocada é praticamente certa.

Enfim, nossa economia não tolera mais a figura do salvador, ela exige a cooperação de todos os profissionais que formam o empreendimento, para que, tendo alinhado os objetivos estratégicos com o legítimo interesse do público-alvo, a rentabilidade apareça e se conserve.



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