Inegavelmente, a Ciência Contábil tem apresentado relevantes contribuições à arte de bem administrar o patrimônio, de fato, a riqueza gerada por determinado ente, possibilitando o acesso ao instrumental que leva a inferências sobre a propriedade das políticas vigentes, com o objetivo de conduzi-las ao aprimoramento.
Tal fato é evidenciado pela história deste campo do conhecimento humano, visto que sua evolução tem ocorrido devido ao pressuposto de que a "verdade" não foi ainda alcançada, se é que o será algum dia.
Neste plano, é imperativo o reconhecimento de que a noção de incompletude do saber é o que, na realidade, promove o seu aperfeiçoamento, pois ninguém em sã consciência se atreveria a investigar um fenômeno cuja essência, seja lá o que for que isto signifique, tivesse sido desvendada de forma cabal.
Assim, é preciso reconhecer que, em certo sentido, a sabedoria dos antigos serve de alento aos que se renderam à sobriedade, conduzindo-os sobre a convicção de que a ignorância é uma dádiva de valor inestimável, já que testemunha veementemente a respeito das limitações humanas.
Enquanto, por um lado, o sábio reconhece suas fraquezas e se regozija nelas, o tolo se destaca por negá-las, insolentemente ostentando uma soberba que serve apenas para demonstrar o estado de desesperança em que se encontra.
O senso comum provavelmente se contentasse com uma afirmação do tipo: a realidade objetiva, a verdade, dispensa quaisquer expedientes, visto que existe por si mesma...
Contudo, a Natureza exibe contornos bem distintos dos que eram percebidos no século passado. Talvez por isso seja possível indagar: o que é realidade? O que é a verdade? O que é existir por si mesmo?
Segundo nossos dicionários, o termo "real" compreende o que tem existência no mundo dos sentidos, em outros termos, aquilo que "acreditamos" existir, desde que, é claro, haja consenso com um expressivo número de pessoas a este respeito.
Sem apelar para fantasias que apenas servem ao torpor da consciência, o termo "verdade" remete à conformidade do que se diz com o que se sente ou se pensa, enquanto "existir por si mesmo" pressupõe a não interferência ou participação do humano...
Tais propostas revelam que o indivíduo é responsável por conferir significado às coisas e que se fosse possível o seu completo afastamento não haveria percepções e, consequentemente, uma realidade para ser invocada.
O tema é complexo e poderia ser desenvolvido em páginas e mais páginas, porém, como os conceitos expostos já são suficientes para destacar que, sem a atuação do ser humano, nada existe, de fato, ao menos, para o sujeito cognoscente (v. cognoscitivo), isto em termos objetivos, esta incursão não será realizada.
O que alguns resistem em admitir é o que a história da humanidade tem indicado com destaque: a realidade objetiva é fruto de consenso, ou seja, não decorre de imposição, nem mesmo de um pretenso saber científico.
Logo, apreciando ou não, objetivo em Contabilidade é aquilo que os principais agentes, incluindo o Mercado, recepcionaram, deliberando acerca de sua propriedade.
Por fim, um lembrete, de alguém que reconhece e admira a história de algumas das personalidades da academia nacional: a Ciência supera o Mito, não por condená-lo, pura e simplesmente, mas ao revelar uma proposta superior, em outros termos, ao chamar a atenção para um caminho melhor, enquanto alimenta o respeito por interpretações distintas da realidade... Agora, se, vez por outra, o Mito ressurge em todo o seu esplendor, isto se deve mais às fragilidades da Ciência e/ou de seus representantes do que a quaisquer outros aspectos.