A vida pública em foco


O mundo das artes tem oferecido opções bem interessantes àqueles que querem realizar uma incursão ao imaginário. Por exemplo, a criança (em especial, a de tempos idos) gostava de invocar "Shazan!", julgando que desta forma, tal qual o herói, teria recursos (na realidade, poderes) para enfrentar os obstáculos. Um pouco depois viriam expressões mais bem elaboradas, como: "Abra-te Sézamo!", "Sin Salabim" ou, ainda, "Abra-cadabra!"... Nossa sociedade evoluiu e, assim, tornou-se mais complexa. Logo, não causa admiração o fato de que essas fórmulas tenham perdido o charme. É preciso reconhecer que as crianças de hoje estão mais sofisticadas, embora continuem a sentir a necessidade do uso de subterfúgios. Algumas, desprovidas de criatividade, ainda apelam para o velho bordão: "eu não sabia". Outras, se esmerando por alternativas mais adequadas ao clamor dos dias atuais, lançam mão de fórmulas, simplesmente, fabulosas, como a utilizada por certo líder tucano, ao tentar esclarecer (inclusive junto ao TCU) sobre o mau uso de recurso público: "hipótese de particular em cooperação com serviço público". Certamente, a sociedade brasileira não espera outra providência que não seja a apuração de responsabilidades e, claro, punição exemplar dos culpados. Mas, é melhor que tenhamos calma, afinal, provavelmente, terão que instaurar uma sindicância ou melhor, nesse caso, uma CPI... Outra? Nossa, essa não! Há quem ouse simplificar: "Não vou cair só"; "a Crise no Senado é tentativa de desestabilizar governo"; "É preciso pensar na biografia de quem está sendo investigado"... Isso faz com que me lembre de um clássico do cinema (baseado em livro homônimo): "Todos os Homens do Presidente", filme que não guarda, necessariamente, relação com o nosso quadro, mas que ilustra os tropeços em que podem incorrer os dirigentes quando estão tão comprometidos com o processo eleitoral. Estamos diante da evidência de que a verdadeira crise pela qual passa o país é ética. E há quem duvide que este mal possa ser, de fato, debelado. A propósito, não poderia ficar de fora a frase contundente: "o momento é de tranquilidade" (do Ministro da Saúde, ante a confirmação de transmissão sustentada do vírus H1N1 no país)". Enquanto isso, como fica a Nação? Ao que parece, resta-nos o consolo pela versão parafraseada de uma conclusão célebre de Chico Anísio (Prof. Raimundo, em sua Escolinha): "E a nossa paciência, ó".



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