As declarações da ex-secretária da Receita Federal continuam dando dor de cabeça ao presidente e aos seus, constituindo-se em situação semelhante àquelas em que "quanto mais se mexe pior fica". O ideal seria que ouvissem os seus próprios conselhos e deixassem o caso de lado, pois, desta forma, talvez fosse resolvido mais rapidamente. A então secretária caiu, e não poderia ter sido diferente, pois desrespeitou uma premissa constitucional: a celeridade. Nossa sociedade tem clamado desde longa data por maior agilidade no funcionamento do aparato estatal. Precisamos de atendimentos mais ágeis, seja na Previdência seja na Saúde. E por que não na Receita Federal? Ao que tudo indica, a ex-secretária não compreendeu a importância da velocidade. Se tivesse sido instruída com Aquiles é até possível que estivesse melhor aparelhada para o seu ofício. Mas, será que mesmo com a velocidade de Aquiles ela teria conseguido ultrapassar a tartaruga, digo, o desejo de que as coisas terminassem em pizza? Segundo a tradição, Aquiles jamais conseguiria alcançar a tartaruga, então, é possível que nem com tal mentor a ex-secretária lograsse êxito em sua missão. Mas, aparentemente há salvação, pois o novo secretário, num rompante de lucidez, demonstrou ter entendido o recado, já que atestou: "vamos dar uma acelerada nos processos de trabalho". Agora, sobre a que tipo de agilidade ele se referiu, isto somente o tempo revelará, visto que pode até implicar no atendimento ao provável intento de certa ministra, que buscava uma conclusão (encerramento) mais rápida do processo que ameaçava atormentar o "coronel". Tem ainda o caso da Estatal, o qual se não for concluído de forma também célere - leia-se, resolvido de forma a proporcionar o menor desgaste político ao governo - pode, no mínimo, ameaçar a eficácia do plano de trabalho do Ministro da Fazenda. Vale lembrar que com a proximidade do pleito (sucessão presidencial), a orquestra precisa se esmerar pelo aprimoramento da harmonia, porque com a qualidade técnica demonstrada até agora, teriam enormes dificuldades para levar o "Grammy", impondo, ainda, à Ministra, o risco de não sair com a estatueta. Mas, como só os melhores são premiados, ela teria que se consolar com o que viesse.
O novo Secretário da RFB entendeu o recado
Ariovaldo Esgoti
17/08/2009