Segundo o entendimento de alguns pesquisadores, as teorias da conspiração decorrem da tentativa de explicar um tema controverso como estratagema de um grupo que se utilizaria de certos expedientes para dissimular os objetivos reais. Neste plano, têm se sobressaído obras que, à semelhança do trabalho de A. Goliszek (Cobaias Humanas), expõem os segredos da história da experimentação científica, denunciando a prevalência do interesse de grupos econômicos (e/ou políticos) em detrimento do bem-estar da sociedade. Seja para o controle da natalidade, para a implementação da eugenia ou simplesmente para a viabilização de projetos político-econômico-financeiros, as patologias cumpririam a função de estimular os empreendimentos que se concentrassem na amenização dos males da humanidade, em vez de em sua extirpação, já que o pleno restabelecimento seria, de fato, contraproducente. Examinando os desdobramentos em torno da difusão do "Influenza A", é muito difícil deixar de assumir que não haja interesses alheios àqueles que realmente promoveriam o bem da sociedade brasileira. Recentemente, presenciamos até mesmo a tentativa de recriação da CPMF, rebatizada de Contribuição Social para a Saúde (CSS), por meio de uma manobra deplorável de nosso Ministro, o qual a pretexto de aperfeiçoar o combalido Sistema Único de Saúde (SUS), busca a qualquer preço mais recursos para sua pasta. É inegável que com mais verbas sua imagem seria fortalecida, o que ampliaria a probabilidade de êxito no lançamento de eventual candidatura; afinal quem não sonha com um representante que trabalhe para melhorar as condições da sociedade? Estou muito longe de defender que ele se mova exclusivamente por interesses semelhantes a este, mas seria tolice desprezar o risco que o cidadão lúcido corre quando o eleitor médio - aquele que realmente define quem o representará - se depara com um esforço como o que se procura configurar, em especial, porque é anunciado como o efeito Robin Hood, visto estar implícito que retiraria de muitos para transferir aos demais. Em outros termos, potencial demagogia. Seria mais interessante se, quando surgissem desafios como os representados pela difusão da nova gripe, entrassem em pauta o enxugamento da máquina e a consequente reforma tributária, reforma esta que, de fato, reduzisse a carga excessiva que recai sobre a sociedade. O aumento de tributos, além de inadequado, pois há ainda um árduo caminho a ser percorrido pelo país rumo à recuperação da economia, é imoral, já que atenta contra um dos compromissos implícitos no exercício da função pública: a administração responsável. Resta-nos torcer para que a Fênix não consiga ressurgir das cinzas, enquanto nos preparamos para, se ou quando necessário, lançá-la ao encontro de fontes torrenciais.
Contribuição Social para a Saúde (CSS)
Ariovaldo Esgoti
24/08/2009