Já é de conhecimento do público em geral que o estresse é necessário e inevitável no dia-a-dia, pois, como alertou certo pesquisador: os únicos que estão livre dele (do estresse) são os que 'repousam eternamente'... É inegável que o cotidiano impõe desafios expressivos, os quais podem colocar em xeque as mais bem elaboradas teorias, levando, assim, muitos ao desenvolvimento de quadros patológicos. Quer se trate de investidores, empresários ou contratados, é fato que todos devem buscar o equilíbrio em suas vidas, determinando suas prioridades de forma que o sentido de realização se torne uma realidade plausível. Muito tem sido dito a respeito da vulnerabilidade crescente à depressão oriunda de desordens, por exemplo, no ambiente profissional, a qual, segundo levantamento da organização Mundial da Saúde, poderá vir a ocupar a segunda colocação no ranking de agentes incapacitadores para o trabalho. Para espanto de alguns, as facetas desse desequilíbrio estão mais próximas do que se supõe, visto que tem aumentado em ritmo surpreendente, dentre tantos outros, o número de casos diagnosticados como Síndrome do Esgotamento Profissional ("Burnout"). De acordo com o psicanalista H. Freudenberger, a síndrome tem como sintomas a exaustão física e mental, a falta de perspectivas e a ineficiência no trabalho, isto para destacar os aspectos que se sobressaem no contexto laboral, embora, reconhecidamente, sua manifestação possa apresentar matizes mais sutis devido à intensidade do quadro. Como afirmavam nossos avós, revelando uma compreensão intuitiva admirável sobre a natureza da felicidade: tudo que é em excesso faz mal. Ou, ainda, noutra perspectiva, o excesso pode revelar a existência de algum tipo de desordem. A lista dos sintomas, que devem ser analisados em conjunto por profissional especializado que também estudará a frequência dos mesmos, é extensa, mas tomemos como exemplo um dos potenciais indicadores: o cinismo. Dentre as possibilidades conceituais, o cinismo seria a atitude ou caráter de pessoa que revela descaso pelas convenções sociais e pela moral vigente, característica esta que pode se manifestar camuflada em um discurso de cientificidade, como ocorre, por exemplo, sem prejuízo de outros, no ambiente profissional, quando, fechando-se ao reconhecimento da incoerência, impropriedade e, às vezes, ilegalidade das ideias defendidas, o interessado recorre a artifícios extravagantes e, neste contexto, imprudentes, rejeitando reiteradamente a voz da razão, em outros termos, a evidência dos fatos, o que denuncia o estado crônico em que se encontra. Creio que nossos avós estejam certos, de novo. Lembro-me de uma antiga lição que, curiosamente, foi encampada pela abordagem terapêutica: se Deus nos criou com dois ouvidos e somente uma boca, Ele deve ter tido um bom motivo para assim fazê-lo. Naturalmente, no atendimento especializado a recomendação seria algo como: para a comunicação eficaz, é preciso saber ouvir. Estou ciente de que o tema seja muito fértil e inadequado este espaço para desenvolvê-lo, todavia destaco a importância da comunicação para o êxito dos empreendimentos, além da cura de muitos dos males que afligem a humanidade, funcionando ainda como antídoto a algumas das síndromes que nos assolam. Assim, preciso reconhecer que o diálogo eficaz possui duas vias, tal qual nos sugere um antigo provérbio: Há um tempo para tudo. Tempo para plantar, tempo para colher... ou, em dimensão contemporânea: tempo para falar, tempo para ouvir.
Síndrome do esgotamento profissional (burnout)
Ariovaldo Esgoti
08/09/2009