Fracassa tentativa de purificar o Congresso


Embora ainda haja muito trabalho pela frente, é inegável que o país tem evoluído no que concerne ao respeito aos direitos e garantias fundamentais, sendo possível tomarmos, como exemplo, os avanços no campo da liberdade de consciência e de crença e da livre manifestação do pensamento. Houve um tempo em que era impensável a exposição pública da filiação a uma vertente religiosa diversa da oficial ou, mesmo, o repúdio a quaisquer das propostas existentes, fato que sujeitaria o rebelde ao escárnio e até à exclusão do convívio familiar ou a perseguições de toda sorte. A mudança de cultura pela qual temos passado já nos permite considerar como coisa normal que, além dos feriados que remontam às tradições católico-romanas, tenhamos o Dia Nacional da Marcha para Jesus, o Dia Internacional da Bíblia e, naturalmente, o Dia da Defesa da Tolerância Religiosa, isto para destacar apenas alguns dos eventos com os quais aprendemos a conviver. Assim, virtualmente não causa admiração que adeptos de religiões afro-brasileiras façam a sua caminhada, afinal têm como manto a própria Constituição Federal. Na realidade, o que se sobressaiu em um dos últimos eventos que desenvolveram (em Brasília) foi a preocupação com os problemas que têm atormentado o Senado e, praticamente, toda a sociedade. Munidos de boa vontade, foram realizar a lavagem da rampa do Congresso Nacional - claro que com autorização de ninguém menos que o próprio Presidente da Casa (do Senado) - com o intuito de purificar aquele lugar, pois é notório que o país necessita de melhorias em suas políticas públicas, além de agentes que estejam em paz e harmonia. Contudo, a despeito do valor com o qual o ritual se reveste, podemos antecipar que um dos principais objetivos da purificação foi frustrado, pois não tiveram acesso ao alto da rampa ou, mais apropriadamente, ao interior da Casa, onde se esconderia a legião de espíritos que tanto assombra a população, aterrorizando até os congressistas sérios que já não sabem o que fazer para que a ética passe a dominar o dia-a-dia daquele lugar. Talvez, agora, seja o caso de seguirmos as recomendações do mestre nazareno: como "esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum", a população terá que chamar para si a responsabilidade pela empreita, aproveitando para anotar, em relação aos escândalos (não somente os atuais; poderíamos começar com o mensalão), quem atua como protagonista e com quais coadjuvantes, para negar-lhes a estatueta a partir de 2010, desferindo-lhes, desta forma, um golpe fatal... Sinceramente, espero que a tradição espiritualista esteja equivocada ao defender a validade da reencarnação, pois, se assim não o for, seria virtualmente impossível o extermínio daquele mal.



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