Nos últimos dias o mundo foi abalado por uma belíssima notícia: podemos estar muito próximos da cura do câncer, já que o paradigma de que as células cancerosas devem ser combatidas com drogas tóxicas, ao que tudo indica, será substituído por um modelo que privilegiaria o processo de envelhecimento, ou seja, as células cancerosas serão submetidas a um tratamento que as impediria de crescer, resultando na inibição do desenvolvimento de tumores. Certamente, há ainda um árduo caminho a ser percorrido até que as pesquisas estejam concluídas e que se possa cogitar a respeito da difusão do tratamento para o benefício de toda a população da aldeia global, contudo o avanço deve ser festejado, pois revela que a dedicação e a coragem podem transpor inúmeros obstáculos, começando pela resistência daqueles que conseguiram o seu reconhecimento pela demonstração de que o câncer é incurável, expondo todas as razões pelas quais método algum poderia vir a funcionar. Aliás, o tipo é conhecido de longa data. Como consagrou a sabedoria popular: "o peixe morre pela boca" (ou arrastado pelas redes da própria confusão). De fato, os exemplos são vários: a carroça sem cavalos (automóvel) era tida como um devaneio; a televisão não serviria para nada, já que não fazia sentido as famílias ficarem observando-a; o mundo suportaria somente umas poucas unidades de computadores; telefone portátil (celular) era um luxo desnecessário; ninguém trocaria a carta escrita de próprio punho por um texto eletrônico (e-mail); dentre tantos outros casos simplesmente hilários. Também há aqueles que vociferarão ante ao progresso com a alegação de que há interesses de grupos econômicos por traz das pesquisas, concebendo-as ainda como uma afronta aos desígnios divinos, pois "a vontade de Deus é soberana, e a doença é a merecida punição pelo pecado". Não temos como impedi-los de pensar assim, até porque o fazem no legítimo exercício de um direito constitucional, entretanto que guardem a sua tradição no âmbito de suas vidas privadas, aprendendo a respeitar o espaço dos demais, afinal o velho adágio continua presente: o seu direito termina aonde começa o meu. Se tiver que escolher entre a ciência, leia-se, autêntica, e a crendice, sem titubear fico com a primeira, simplesmente porque depois da descoberta de que o nosso planeta não seria centro do universo, melhor dizendo, desta galáxia, me é impossível ignorar tal fato. A propósito, destaquei que tenho um respeito especial pela ciência autêntica, porque reconheço que estamos rodeados por cientistas e até filósofos que entendem tanto de ciência ou filosofia quanto meu finado pai, um mestre da panificação, entendia de literatura... Assim, o trabalho daqueles pesquisadores, os que resolveram questionar as convenções e os postulados de seus antigos mestres, têm muito a nos ensinar, estimulando-nos a ultrapassar os limites impostos pelas crenças e interesses de professores que almejam somente a imortalidade de suas ideias, desprezando o fato de que o mais importante agora é buscar a cura para os males da humanidade. Sim, há esperança, afinal!
A cura do câncer por um fio
Ariovaldo Esgoti
22/03/2010