Síndrome da Fuga Dissociativa


Há um provérbio, por assim dizer, universal que tem embalado algumas conversas, além de contribuir com produções cinematográficas e, em meio a outras possibilidades, com a literatura. Refiro-me ao título-tema do Livro "De gênio e louco todo mundo tem um pouco", de Augusto Cury. Reconheço que não faço parte do fã-clube deste autor, mas julguei por prudente examinar sua proposta, já que conservo como princípio que devemos por à prova todas as coisas e ficar com o que é bom. Tendo me lembrado da obra mais pelo vínculo com o ditado do que por alguma outra razão especial. Nossas lideranças ao que parece adoeceram e se não forem tratadas com urgência só Deus sabe o que pode acontecer, ou seja, corremos o risco de confirmar que Murphy - mito popular - poderá acertar de novo: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível". Estou preocupado com a saúde delas - especialmente a mental - porque podem ter sido vitimadas pela Síndrome da Fuga Psicogênica ou Dissociativa, psicopatologia que, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Trad. Cláudia Dornelles, 2002), possui as seguintes características diagnósticas (p. 501): A característica essencial da Fuga Dissociativa é uma viagem súbita e inesperada para longe de casa ou do local costumeiro de atividades diárias do indivíduo, com incapacidade de recordar parte ou todo o próprio passado. Isto é acompanhado por uma confusão acerca da identidade pessoal ou mesmo adoção de uma nova identidade... A viagem pode variar desde breves afastamentos durante períodos relativamente curtos, até roteiros complexos, geralmente discretos, por longos períodos; há relatos de indivíduos que cruzam diversas fronteiras nacionais e viajam milhares de quilômetros. Durante uma fuga, os indivíduos em geral parecem não ter psicopatologia e não despertam atenção. Em algum momento, o indivíduo é levado à atenção clínica, geralmente em razão de amnésia para eventos recentes ou falta de consciência da identidade pessoal. Retornando ao estado pré-fuga a pessoa pode não recordar o que ocorreu durante a fuga. A maioria das fugas não envolve a formação de uma nova identidade. Se uma nova identidade é assumida durante a fuga, esta é habitualmente caracterizada por traços mais gregários e desinibidos do que os que caracterizavam a identidade anterior. A pessoa pode assumir um novo nome, uma nova residência e envolver-se em atividades sociais complexas, que não sugerem a presença de um transtorno mental. Dilma não sabia; Lula não sabia...; e o Papa também não... Não convém prolongarmos a discussão sobre a responsabilidade em si dessas figuras, já que pela função exercida à época dos fatos o que precisará ser analisado é apenas se houve dolo ou culpa. Simples assim.



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