Conhecimento e seletividade


Por mais que o indivíduo labute para conquistar o seu espaço no mundo, se desprezar certas leis naturais que regem a sobrevivência, acabará ingressando no rol que a História costuma apresentar como de espécie em extinção. Isto por uma razão peculiar: a Natureza é insensível, devolve-nos a essência do que tiver sido "semeado". Ao voltarmo-nos, por exemplo, ao universo da renda variável percebemos que é relativamente comum que, tão rápido quanto entraram em cena, investidores que se autointitulam de arrojados desapareçam quase sem deixar vestígios, porque imaginaram ter descoberto a fórmula do sucesso e, por extensão, da riqueza. Ledo engano! Embora seja muito importante a tecnologia que nos permite o domínio de sofisticados métodos matemáticos ou de depuração estratégica, é fato: o que se configura como remédio para alguns pode literalmente envenenar a outros... É característico da ingenuidade a busca por reduzir a vida a uma equação. Na prática, a difusão de que dada receita é superior porque conduziria ao objetivo serve apenas para a promoção do principal produto do ilusionista: o engano. Processo este que em regra se inicia com a defesa de que a mercadoria ofertada é o passaporte para uma nova era, seja no campo das ciências humanas ou sociais, seja no das biológicas. Não convém que me esqueça ainda da filosofia e das ciências religiosas. Objetivamente, quem seleciona o perfil que se sobressairá junto ao empresariado não é nem o Legislador nem a Academia ou o Regulador, muito menos as pesquisas de opinião, aliás, que tão facilmente podem ser manipuladas. A capacidade decisória sempre esteve nas mãos invisíveis do Mercado, que num piscar de olhos rende os especialistas ao cativeiro de sua presunção. Isto significaria que devemos ficar de braços cruzados enquanto observamos a dança do destino, exibindo sua fúria aparentemente incontrolável? É lógico que não! Podemos não contar com a segurança de que as estratégias funcionarão regularmente ou, para o desespero de alguns, mesmo de forma ocasional, entretanto sempre estaremos em condição mais benéfica ao lado do risco que representa a tentativa do que da opção que lhe serve de contraste - a inércia. Até o poeta já indagou: "o que seria do verde, se todos preferissem o azul?". Revelando, por uma intuição admirável, que se algo existe, por si, isto seria o indicativo da inscrição de um propósito. Afinal, a boa e velha natureza deve ter suas razões quando seleciona o que ou quem resistirá ao teste do tempo. Ainda que alguns discordem desta ideia, o Universo seguirá o seu curso sem se incomodar com isto, visto que daqui a alguns instantes somente o ser adaptável ficará para dar o tom da melodia de vanguarda - aquela cujas notas são marcadas pela seletividade e que exalta as riquezas de uma vida comprometida acima de tudo com o conhecimento, tanto o seu, quanto o de seus pares.



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