Embora não tenha realizado uma caminhada tão extensa em Contabilidade, já que me inseri no mundo corporativo somente na segunda metade dos anos setenta, transitando para ela apenas na década seguinte, tenho visto de quase tudo. Presenciei comportamentos que não são tão diferentes daqueles que percebemos atualmente. Dentre os tipos usuais, continuo a encontrar dois que merecem destaque. Sua importância didática se revela pelo contraste que proporcionam. Há alguns que não contam tudo o que sabem, enquanto outros vão muito além do que conhecem de fato. Não é difícil encontrarmos profissionais que possuem técnica virtualmente mediana, porém marcados por uma vontade e uma dedicação tão expressivas que, ao repartirem o pouco que conhecem com seu interlocutor, podem surpreendê-lo pela forma contundente e criativa com que difundem as informações, encontrando terreno fértil ao aprimoramento de seus recursos. Os do primeiro grupo acabam agindo de forma diversa, geralmente têm inúmeros motivos para justificar o seu silêncio. Se lhes perguntarmos por que não participam ou dividem o que aprenderam, possivelmente ouviremos que o tempo é escasso ou, em meio a outros, que não estão preparados adequadamente. "Conhecimento é poder", conclui o filósofo. Entretanto, terá algum valor se ficar confinado naquele que o detém? Isto faz com que me lembre de mais uma das antigas lições: "No princípio, era o Verbo"... Verbo é indicativo de ação. Interessante, não? Talvez por isso Ele tenha ensinado que: "A quem tem será dado, e terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado"... É irrelevante se aprovamos ou não, mas o fato é que o mundo nos avalia pela qualidade de nossa comunicação. Qualidade esta que certamente não subsiste só na dimensão discursiva, pois o dinamismo da atualidade é implacável, pega o tolo na teia de suas próprias mentiras. De nada adianta se esforçar mentalmente para projetar a imagem de profissional de vanguarda e preocupado com os nobres valores da sociedade ou com os princípios que devem nortear a humanidade, se, nas comunidades virtuais ou por outros meios, o pretenso virtuoso destila intolerância ou preconceito. Nossa comunicação revela quem somos realmente. Desvenda o que temos de verdade, ou seja, apresenta-nos sem a maquiagem da hipocrisia, que alguns ingenuamente pensam ser sua grande aliada. Ledo engano. É bem provável que tenha chegado o momento de indagarmos: qual a qualidade do conhecimento que detemos? A boa ou má notícia, conforme o caso, é que não precisaremos nem nos dar ao trabalho de buscar em nosso íntimo a resposta. Bastará identificar o que temos comunicado ao mundo mediante pensamentos, palavras e atos. Certa vez alguém me disse: "A ignorância é uma bênção!". Ao que concordarei apenas em parte. De qual lado estamos: dos que têm uma ligação passional com o estado de conforto ou daqueles que flertam com o novo, que veem na mudança a oportunidade de uma existência permeada de sentido?
Conhecimento e comunicação
Ariovaldo Esgoti
06/12/2010