Adoção inicial das IFRSs


É motivo de comemoração o interesse que a classe contábil tem demonstrado diante da nova realidade. Colegas e parceiros, às vezes pressionados pelos clientes, é verdade, têm nos procurado para o intercâmbio de informações sobre as medidas que devem ser seguidas pela empresa que adota pela primeira vez as IFRSs (International Financial Reporting Standards), tema este sobre o qual nos lançaremos hoje.

Requisito imprescindível para atendimento ao Pronunciamento Técnico CPC 37 (Resolução CFC nº 1.306/2010), conforme advertiu o Conselho Federal, é que as primeiras demonstrações contábeis de uma entidade em IFRSs são as primeiras demonstrações anuais em que a entidade adota de fato essas normas, declarando de forma explícita e sem ressalvas, que as demonstrações estão em conformidade com elas.

Dependendo das particularidades da empresa podem ser necessárias medidas iniciais para adequação das demonstrações contábeis, como reconhecer todos os ativos e passivos cujo reconhecimento seja exigido pelas IFRSs; não reconhecer itens como ativos ou passivos quando os normativos não permitirem tais reconhecimentos; reclassificar itens reconhecidos de acordo com práticas contábeis anteriores como certo tipo de ativo, passivo ou componente de patrimônio líquido, os quais, de acordo com as IFRSs, se constituem em um tipo diferente de ativo, passivo ou componente de patrimônio líquido; e aplicar essas normas na mensuração de todos os ativos e passivos reconhecidos.

Segundo esclarece o CFC, as políticas contábeis que a entidade utiliza em seu balanço patrimonial de abertura podem ser diferentes daquelas utilizadas para a mesma data pelas práticas contábeis anteriores. Os ajustes resultantes surgem de eventos e transações anteriores à data de transição para as IFRSs. Portanto, em regra, a entidade deve reconhecer esses ajustes diretamente em lucros ou prejuízos acumulados na data da transição.

Há ainda outras situações que exigem atenção por parte dos responsáveis na empresa, pois pode ser necessário fazer estimativas de acordo com as IFRSs na data de transição para aquelas que não foram exigidas pelos critérios contábeis anteriores. Para estarem consistentes, as estimativas devem refletir as condições que existiam na data de transição. Em especial, as estimativas de preços de mercado, taxas de juros ou taxas de câmbio na data de transição para as IFRSs, as quais devem refletir as condições de mercado daquela data.

Ou seja, há muito trabalho pela frente e os detalhes do dia-a-dia da empresa podem trazer desafios adicionais às atividades que prepararão a transição ao novo modelo, exigindo de seu contabilista a formulação de um plano de ação que compatibilize as necessidades com os recursos existentes e aqueles requeridos para êxito do processo.



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