Um dos paradoxos que a moderna gestão empresarial enfrenta é que se, por um lado, em linha com os reais anseios e necessidades do consumidor, precisa constantemente produzir mais e mais, por outro, deverá fazê-lo sem ultrapassar o limite que caracterizaria sua postura como ilegal e até imoral, no que concerne às políticas de recursos humanos.
Independentemente da escala em que necessite de mão-de-obra, além de estar sujeito aos ditames da função social da empresa, que impõem ao empresariado os requisitos que devem nortear a relação com os trabalhadores, está sujeito também ao clamor desses novos tempos em que a sociedade espera com avidez que a empresa se conduza com responsabilidade social.
É preciso assim superar o mero discurso, estratégia de marketing por si condenada ao fracasso, e rumar à coerência que advém do trato adequado aos seus colaboradores, àqueles sem os quais a empresa não passa de um amontoado de equipamentos, que para pouco ou nada servirá.
Alguns revelam uma preocupação doentia com a concorrência, vindo a investir verdadeiras fortunas em estratégias de confrontação, cujo retorno é, no mínimo duvidoso, em especial, se o dito concorrente fizer parte do seleto grupo que é defendido com tenacidade pelos seus colaboradores que, na outra ponta, cientes de que estão ao lado de quem os respeita acima de tudo, terão condições de abalar o mercado com sua criatividade e capacidade inovadora - ao tempo em que se esquivarão do absenteísmo.
Enquanto parte do empresariado julga que deva tratar os trabalhadores com mãos de ferro, controlando o uso do toalete ou da copa ou ainda restringindo o acesso à tecnologia, visto que os têm em conta mais de adversários do que quaisquer outras coisas, há empresas que, na contramão desta postura medieval, adotam estratégias dignas de nota, primando pela valorização destes parceiros de todas as horas.
Naturalmente, isto não significa que deva ser elogiada aquela que considere a indisciplina e o descaso com os recursos acessados pelos seus como coisa normal, o que certamente se traduz em desperdícios injustificáveis ou inadmissíveis... O juiz por excelência, o mercado, imputará a seu tempo a pena por tal sorte de ingenuidade.
Apesar de não ser procedente a defesa de uma fórmula para a maximização do potencial dos recursos humanos ou de incremento do capital intelectual deles decorrentes, é forçoso reconhecer que, sem dúvidas, algumas medidas podem apoiar o seu fortalecimento: privilégio de políticas empresariais lícitas; gestão participativa; incentivo à criatividade; estímulo à liberdade de expressão; apoio à qualidade de vida; respeito às diferenças individuais; promoção com base no mérito, especialmente, o coletivo; favorecimento da liderança sadia, em detrimento do mero apelo à autoridade (formal); etc.
Em outros termos, quer a empresa esteja ou não bem adiantada no processo, é seguro que progressos notáveis podem ser obtidos pelo diálogo franco e por políticas que promovam um ambiente em que predomine a valorização do ser ante ao parecer, pois, se, por um lado, os índices de produtividade revelam o grau de eficácia no aproveitamento dos recursos em jogo, por outro, o de absenteísmo desvenda a qualidade ambiental em sua perspectiva mais ampla, desta forma, evidenciando a maturidade do negócio.