Não é o caso de se afirmar que as empresas que operam com base nas regras tributárias do Simples Nacional estejam livres de dificuldades, mas que o quadro inspira maiores cuidados às que estão no lucro real ou no presumido já não restam dúvidas, porque a riqueza das obrigações acessórias e dos detalhes que cercam os procedimentos contábeis, ao tempo em que exige amplo domínio do emaranhado normativo, expõe o gestor ao risco plausível de ter que amargar perdas razoáveis.
Os desafios acabam atingindo frentes variadas, passando por áreas como identificação precisa do custeio, que desembocará na política de preços a ser privilegiada, e na qualidade dos processos de controle interno, que permitirá o monitoramento da rentabilidade da empresa, dentre outros fatores que podem desvendar se a viabilidade é algo mais que uma expressão sem sentido no negócio em questão, isto para que fiquemos com apenas dois dos pontos que são dignos de nota.
Conforme ensinou o poeta, "o ser humano não é uma ilha". Fato este que é amplamente reconhecido em nossos dias, embora nem sempre seja de fácil implementação no mundo corporativo, pois, além do potencial conflito de interesses, o elo somente cumprirá o seu papel se estiver consciente da importância de sua função e dos requisitos do mercado em que atua, contribuindo sinergicamente ao grupo com o qual convive. Ou seja, perseguindo os seus objetivos em estrita conexão com os defendidos pelos demais.
Desprezar este princípio equivale ao esforço inútil daquele que tentasse nadar cachoeira acima, enquanto a natureza o repreende, procurando mantê-lo, ao menos, no limiar da sanidade. No máximo, provaria a si mesmo que está desconectado da realidade e que é incapaz, ainda que momentaneamente, de melhorar o seu mundo ou o de alguém mais. O que, aliás, deve ser comemorado porque a vida tem por praxe brindar o indivíduo sensato e receptivo ao clamor dos dias com oportunidades muito especiais.
Se, por um lado, o cavaleiro solitário, por mais que conheça, pode muito pouco ou praticamente nada, por outro, a massa ensandecida, despreparada ou desorganizada é tão poderosa quanto um incêndio de qualquer classe: deixa um rastro de cinzas e destruição por onde passar. Em outras palavras, a solução não está nos extremos. É preciso que se busque de forma vigorosa o equilíbrio, pois as equipes se completam quando os partícipes doam o melhor de si aos projetos, que no fundo são de todos.
Superado este aspecto, o gestor precisará enfrentar outro desafio tão grande quanto, senão mais: a qualificação técnica dos colaboradores e parceiros. É fato, a economia empresarial não tolera mais o amadorismo, além de já não se satisfazer com a mera apresentação de credenciais, pois, em que pese a importância do currículo, os reais problemas da sociedade contemporânea usualmente são imunes às velhas fórmulas, que por infelicidade ainda se distribuem nos corredores de muitas academias.
Em suma, e por extensão: a empresa está no regime do Simples Nacional, do Lucro real ou do Lucro Presumido, observando adequadamente os requisitos que lhes são próprios? Ótimo, já que isto é sinal de que a estrutura de recursos humanos funciona bem! Mas, o regime em que se encontra é de fato a melhor alternativa? Os reflexos são considerados no curto, médio e longo prazo? A persistir a curva de rentabilidade atual, o negócio ainda será viável nos próximos anos? As tendências mercadológicas podem interferir de alguma forma nos modelos societário, contábil e tributário vigentes? Pense nisso!