A presidente é gente que faz


A presidente tem conseguido difundir com sucesso a mensagem de que as diferenças entre o seu estilo e o do ex-presidente vão muito além de questões meramente técnicas: demonstra não acreditar na hipótese da dúvida razoável. Prefere não flertar com o inimigo, ao menos, abertamente. Se por um lado, depreende-se da Constituição que todos são inocentes até que esteja provado o contrário, por outro, à semelhança do que fez a inquisição católica ou mesmo a protestante (se bem que, naquela época, com inocentes em potencial), após a agonia de um de seus importantes ministros, ao menor sinal da existência de acordo com o tinhoso, ela não tem titubeado: demissão sumária - o DNIT que o diga. A postura pode até não ser bem vista nos corredores petistas e junto à base aliada, claro, por contrariar os interesses que vinham sendo perseguidos, mas é digna de nota porque demonstra o esforço em prol de um bem maior (que promoverá o seu e oxalá o nosso bem) ou simplesmente de um mal menor. Ainda que não vise a verdade pela verdade, ao consagrar o seu compromisso com a ética necessária, a presidente evidencia que, conquanto o seu antecessor falasse demais, ela prefere agir, ameaçando cortar o mal pela raiz. Talvez saiba que este tipo de tiririca (não o deputado) é de difícil erradicação, mas nem por isso prefere se esconder sob o velho clichê: "eu não sabia"... Conclusão: a presidente é "gente que faz". Aliás, com ele, apesar do absurdo aparente, não chega a ser inconcebível que não soubesse ou até que preferisse não saber. Só que desde o início ela se destacou exatamente por deter o conhecimento certo no momento exato. Portadora de um feeling de dar inveja ao mais arguto dos estadistas, jamais poderia ser surpreendida por tal classe de sordidez ou ainda que o fosse não consentiria em assim permanecer por muito tempo. É cedo para sabermos se sua estratégia realmente será bem-sucedida, entretanto, na hipótese de ter acertado a mão, como o país sairá ganhando, a torcida é para que a presidente consiga depurar, não só o Ministério dos Transportes, mas também os demais, servindo ainda a sua atitude como modelo aos outros poderes. No entanto, há um aspecto que causa enorme preocupação: como o País foi ensinado pelo PT a não desprezar a herança maldita, já que vários dentre os envolvidos acompanharam as duas gestões anteriores (isto mesmo, as do padrinho da presidente), encontrando ali terreno fértil à criatividade escrota, em quem será colocada a responsabilidade nas próximas eleições? Conseguirá ela admitir que o falastrão apoiou o caos, mesmo que de forma não intencional? Será capaz de destruir a tudo e todos os que separam o País da Justiça, correndo o risco de ser aniquilada na empreita? Terá sobriedade para reunir assessores que privilegiem o interesse público, descartando a mera retórica? Bem, pode ser que consigam provar que o time em queda é da época do FHC e que as intrincadas estratégias dessa quadrilha de fato exigiram mais tempo que o ideal para o esclarecimento, que veio a emergir somente quando alguém com o domínio de certa técnica especial de gestão pública chegou ao poder... A sorte está lançada: que vença ou sobreviva o(a) mais apto(a)... A Natureza responde: que assim seja!



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