Que o Brasil precisa de investimentos em infraestrutura não é novidade, ouço-o já de longa data. Programas vêm e vão e os velhos desafios persistem. A Lei de Gerson resiste, alardeando que estaria mais forte do que nunca. Nem o PAC conseguiu escapar - o seu significado se perdera... Tem que ser possível resgatar o conceito, então, vejamos: as letras "P" e "A" não trazem desafios insuperáveis, já que são as iniciais de Programa de Aceleração, expressão que assim colocada parece exigir um complemento. Alguns iriam pensar naturalmente em: do Crescimento. Nada mais que força midiática, à semelhança do que nos esclareceu a presidente recentemente. Concordarei com que a letra "C", além da forma, confere à sigla a ideia de crescimento, entretanto é importante manter em perspectiva que, se há algo que cresce, precisamos saber do que se trata. Logo, crescimento do quê? Devido à herança maldita, são várias possibilidades, mas, com foco na letra inicial, podem ser destacadas as seguintes extensões: cafajestice; canalhice; capangagem; capitania; capengante; capetagem; capitulação; chantagem; e, claro, a eterna, corrupção. Indubitavelmente num ponto a presidente tem se sobressaído em relação ao seu antecessor: do contínuo aos ministros, ao menor sinal de problema, seja de integridade ou de credibilidade ou de sintonia, "Rua!". Parabéns, já é um grande começo. Parafraseando o "ex": Nunca antes na história deste país se viu tamanha faxina. Nunca antes neste país os marmanjos tomaram um puxão de orelha com tal intensidade. Nunca antes no Brasil o sexo, até então, tido por frágil se revelou maravilhosamente superior. Não é novidade que jamais integrei o fã clube de Lula e seu partido, só que pela primeira vez na história deste país alguns opositores têm visto aumentar a admiração pela dama que está demonstrando aos covardes de outrora que o país tem jeito, à parte do jeitinho. Na prática, o que ela está conseguindo fazer é reescrever o PAC, vinculando-o a uma medida de ética nunca antes vista neste país, apesar de alguns dos desafios ainda presentes e que, por serem herança maldita, podem vir a dar um pouco de dor de cabeça. Insisto nesse ponto porque era marca registrada de um provável demagogo. Como a presidente resolveu combater o mal pela raiz, ao que tudo indica, o que podemos vislumbrar agora é o Programa de Aceleração da Credibilidade, projeto este nunca antes tão desejado, além de necessário, visto que a nação padecia vítima de uma consciência cauterizada, não percebendo com clareza as rachaduras e os vazamentos que comprometiam as finanças públicas. Não é o caso de nos perdermos debatendo acerca das reais motivações de nossa governante máxima para a empreita que escolheu desenvolver, isto porque, independentemente das razões, o que importa de fato é que ela tem tido a coragem de romper com o velho paradigma de que os fins justificariam os meios. Certamente esta queda de braço não está definida ainda, se é o que o será algum dia, mas como alguém resolveu enfrentar o câncer, que, apesar de enraizado, não é terminal, temos motivos para festejar o marco do comprometimento com a ética, ao tempo em que podemos engrossar as fileiras de combate às práticas que põem em risco a qualidade de vida, seja a nossa, seja a das próximas gerações... Resta torcer para que esta percepção não seja apenas fruto de ilusionismo.
Reescrevendo o PAC, como nunca antes neste país
Ariovaldo Esgoti
08/08/2011