Nossa cultura consagra o mineiro como um indivíduo tão sagaz que teria a habilidade de "dormir com um olho fechado e outro aberto", não permitindo assim que alguma coisa lhe escapasse, gratuitamente.
O fato é que nós, que ainda não sabemos como fazê-lo, teremos que aprender com ele tal capacidade, e isto com urgência. São muitos os riscos que têm cercado as empresas nos últimos anos.
A preocupação tem sua razão de ser porque parte do empresariado acredita que seus colaboradores técnicos têm profunda competência nas áreas relativas ao seu campo de atuação, o que, seguramente, não ocorre.
Embora seja crescente o número de profissionais preocupados com a evolução da contabilidade e do regramento tributário, nem todos se deram conta da gravidade do momento que vivemos. Muitos insistem em manter velhos e nocivos hábitos de trabalho.
Podemos vir a ser atingidos por um verdadeiro festival de falhas: impostos mal calculados; declarações fiscais, inclusive eletrônicas, permeadas por informações equivocadas; livros contábeis com indícios veementes de fraude; e, para completar o drama, assessoria técnica passiva, ignorando que a conduta ativa é imprescindível ao bem-estar de todos.
Apesar de alguns defenderem que contabilidade é coisa para contador, ou empresariado e gestores chamam a si a responsabilidade de saber o que é relevante na organização de seu negócio ou flertarão com dores de cabeça que podem até evoluir para um acidente vascular cerebral.
Colocando de forma bem objetiva, procure, ao menos: entender o regime tributário de sua empresa; conhecer o que é essencial para o atendimento à legislação societária; realizar testes de qualidade nas rotinas administrativas, fiscais e contábeis (podem ser por amostragem); checar o grau de atualização dos profissionais que prestam assessoria e consultoria, substituindo os flagrantemente ineptos.
Tais medidas não garantem que todos os problemas serão resolvidos, mas sem dúvidas a manutenção de uma política consistente de gerenciamento de riscos proporcionará razoável economia de tempo, sensível redução do desperdício de recursos tecnológicos e financeiros e, dentre outras contribuições, manterá o Fisco a uma distância mais adequada.
Mesmo com a premissa de que todos os processos atendem à legislação pertinente, ninguém quer as fazendas bisbilhotando, ainda mais quando a auditoria fiscal é provocada por incompetência, às vezes cabal, dos responsáveis pela organização do controle interno.
Lembre-se de que para o Estado, num primeiro momento, pouco importa se quem deu causa à inconsistência de dados ou, eventualmente, à fraude é funcionário ou terceirizado. Administradores e sócios serão responsabilizados... Recomendação: faça a lição de casa e busque especialização na escola do mineiro, claro.