Atualmente poucos rejeitariam a noção de que as empresas precisam se diferenciar da concorrência, oferecendo ao mercado consumidor produtos e serviços que, além de cumprirem aquilo para o qual foram idealizados, façam-no de uma forma tal que os similares fiquem a razoável distância.
Para viabilizar o objetivo é relativamente comum que encontremos estruturas especialmente concebidas, cujos integrantes têm a missão de descobrir como a empresa agregará mais e mais valor às suas propostas, consolidando-se, assim, em seu setor.
Visto que sucesso passado não é garantia para nada em absoluto, o gestor precisa justificar a sua existência agradando a gregos e troianos ao tempo em que obtém o maior retorno possível do investimento alocado, basicamente porque não fazê-lo é assinar a sua própria condenação, que pode inclusive comprometer a situação de todos os envolvidos com o projeto.
No que interessa à diferenciação mercadológica, propriamente dita, é preciso reconhecermos que nem sempre a distinção se dará no plano puramente técnico. A própria tecnologia, em certo sentido, amplamente acessível, tende a reduzir as chances de que o diferencial se restrinja à concepção inédita de produtos e serviços.
Apesar da importância da inovação, sintonizada com os mais elevados anseios do público-alvo, é perfeitamente plausível que a distinção esperada compreenda detalhes ignorados pelos demais fornecedores, em vez de sua total reinvenção. Exemplo disto temos naqueles casos em que a empresa cumpre o seu papel atribuindo melhorias aos itens que o mercado já consome.
Mas, o que dizer destes tempos em que a produção empresarial tende à uniformidade, em que, por maior que seja o empenho, os padrões de excelência não permanecem superiores indefinidamente, e que as competências - mais dia menos dia - acabam se nivelando?
Acrescente-se a isto os malefícios do modelo educacional da atualidade, que, em regra, produz profissionais letárgicos, e, pronto, a confusão estará formada. Não raro nos depararemos com equipes que pretendem transformar todos os problemas com se deparam em prego, simplesmente porque o único instrumento que aprenderam a usar é o martelo.
Na prática, questões desta natureza servem para demonstrar que o espírito criativo - leia-se, empreendedor - é bem mais necessário do que jamais foi, e que os métodos tradicionais de enfrentamento dos desafios já não conseguem dar conta da realidade, pois o ambiente é marcado por tal grau de complexidade que as soluções, além de certeiras, têm que ser rápidas.
Em certo sentido, o desafio não é novo. É tão antigo quanto a humanidade. Cada época tem as suas exigências, é fato. Alguns loucos conseguem perceber os sinais dos tempos e se sacrificam no intento de produzir mudanças, de melhorar o seu mundo e o dos seus. Digo loucos porque como o padrão de normalidade é o comportamento evidenciado pela maioria - espera-se - só o indivíduo potencialmente insano se atreveria a questionar o status quo.
Naturalmente, não se defende aqui o predomínio gratuito da aparente não razão, em especial, a pretexto de que carregaria a semente da vanguarda. O objetivo em nada sutil é justamente alertar para o risco representado pelas soluções padronizadas, visto que manual algum é capaz de prever as nuanças que poderemos encontrar no ambiente empresarial.
Assim colocado, o recomendável e que o gestor encontre o necessário equilíbrio entre o fazer bem feito e fazer o que precisa ser feito no caso concreto, em vez de desperdiçar um dos recursos mais preciosos - e escassos - da atualidade: o tempo. Considerando que o mercado virtualmente não concede uma segunda chance, em meio aos requisitos, é preciso também conquistar a virtude de estar sempre preparado para a guerra, ainda que apenas algumas batalhas o aguarde.