Poucas pessoas ousariam duvidar da afirmação de que os recursos humanos são os mais valiosos na organização de qualquer negócio. Em regra, não o faríamos por algumas razões, como: é um discurso que vende; parecemos respeitosos quando o reconhecemos; a legislação nos impulsiona neste sentido; e, dentre outras, quase ninguém admitiria vincular a sua marca ao desrespeito à dignidade da pessoa humana.
Entretanto, o motivo aparentemente mais óbvio para o reconhecimento da sua importância pode passar desapercebido em muito casos: se não estivermos cercados por pessoas ou profissionais bem intencionados e, neste sentido, bem preparados dificilmente conseguiremos manter em pé qualquer empreendimento.
Não se trata de um problema que atingiria apenas as empresas ou mesmo o Governo. Para a surpresa de alguns, até o terceiro setor é vitimado por este câncer: a maioria sabe que as pessoas são o coração de qualquer projeto e apesar disso resiste o quanto pode à participação dos colaboradores na gestão eficaz.
Longe de insinuar que os gestores sejam mesquinhos ou mesmo de admitir que os colaboradores sejam predominantemente mercenários, embora haja que se porte desta maneira, o que desejo realçar é que estamos diante de uma fase do desenvolvimento organizacional tão sensível à qualidade das estratégias em vigor que a menor contradição entre discurso e prática é capaz de lançar por terra todos os esforços pela preservação da empresa.
Ora, não aprendemos que um dos grandes motivadores é o reconhecimento? Não fomos informados de que é justa a participação do trabalhador nos resultados que, às vezes, são gerados com o sacrifício de áreas vitais de suas vidas? O que dizer ainda daqueles que à parte do trabalho sequer possuem círculo social? Em muitas situações o que encontramos são verdadeiras bombas-relógio - e o pior, já acionadas...
Os que me acompanham sabem que tenho um apreço especial pela analogia com os dinossauros. E isto por uma razão bem simples: eram poderosíssimos, governavam o mundo com o seu vigor. Nas palavras ao menos de parte da juventude: "Com eles na área, não tinha pra ninguém!". Mas, não resistiram à pressão pela mudança. Sucumbiram, a despeito de sua tradição e força.
Em outras palavras, embora o currículo empresarial seja importante, nenhuma empresa se manterá ativa no mercado fundada apenas nisso. Se insistir neste tipo de estratégia, acabará virando peça de museu, assim como aconteceu com a espécie extinta.
Curiosamente, nem é o caso de apenas ser mantida a formação original das equipes, porque, ainda que os colaboradores não fossem substituídos, o mundo é dinâmico. Ou seja, os problemas de hoje provavelmente não serão sanados com a tecnologia de ontem. Por isso a necessidade de investimentos consistentes nos recursos humanos, ao lado de outros dos requeridos pelo ambiente organizacional, claro.
O ponto aqui, aliás, não se restringe ao fator remuneração, o qual, apesar da importância, por si só não será capaz de fazer o projeto decolar. É preciso que o investimento supere esta perspectiva, alcançando também a busca incessante pela realização do potencial do ser humano.
O que precisamos reconhecer e rapidamente é que estes tempos exigem uma boa dose de integração entre os participantes das equipes, sem contudo se lhes anular as particularidades, em paralelo aos esforços que devem ser despendidos pela justa distribuição dos resultados.
Assim, sem retirarmos a importância dos valores pecuniários envolvidos, já que serão consequência de um trabalho bem feito, o foco deveria se deslocar para a qualidade das políticas que norteiam a gestão. Isto porque a empresa sobrevive à retirada de quase tudo, menos de seu pessoal.