Hostil, carrancudo, autoritário, desumano, não raro inexperiente e inseguro, dentre tantos outros, assim é o comportamento típico do chefe, do indivíduo que insiste em confrontar a sabedoria dos tempos, combatendo a tudo que aparentemente ouse desafiá-lo. Mesmo que sejam moinhos de vento.
Vítima de uma espécie de síndrome de perseguição, vê acima de tudo adversários por onde passa. Sabe que precisa subjugá-los bem rápido, porque ao menor descuido poderia receber um golpe mortal.
Se todos estão contra ele, nada mais natural que antecipar os inevitáveis ataques - é o que pensa ingenuamente.
Seus comandados têm algumas alternativas como, por exemplo:
- resistir enquanto perdurarem as forças, sacrificando seus mais preciosos bens;
- desistir da própria vida, rendendo-se aos caprichos de seu carrasco;
- sabotar nos momentos mais delicados de sua jornada, retribuindo olho por olho e comemorando silenciosamente cada tropeço de seu algoz; ou
- migrar para estruturas mais humanas, afinal a vida é muito mais do que apenas o contracheque.
Já o líder é o sonho de consumo das organizações de primeira linha e, neste sentido, dos times de vanguarda. Não é muito difícil reconhecê-lo:
- compreensivo quanto às necessidades dos colaboradores, mas ciente da missão do grupo;
- atencioso na medida do desenvolvimento de seus pares, porém capaz de manter a união e a motivação da equipe;
- determinado a alcançar o alvo, sem, contudo, deixar de comemorar as pequenas conquistas ao lado dos seus;
- respeitador das diferenças individuais, aproveita para incentivar a todos para que deem o seu melhor em cada etapa dos projetos...
Pelo grau de coesão que normalmente obtém no grupo, os resultados são alcançados com muito mais facilidade. Se todos se sentem bem, pois são reconhecidos, respeitados e estimulados, os problemas que fazem parte do dia-a-dia das organizações são superados sem o estresse desnecessário com que ocorreria numa estrutura viciada.
Numa época em que praticamente cada segundo conta, a empresa saudável leva enorme vantagem em relação a que convive com quadros patológicos em sua gestão.
Isto não significa que o líder não tenha defeito algum, visto que está sujeito aos mesmos desafios que qualquer outra pessoa. Uma das fundamentais diferenças é que se ele falhar o grupo sairá entristecido, porque sente que a perda terá sido de todos. Os seus igualmente sabem que sempre que ele acerta ninguém é desprezado, já que o sucesso também carrega a marca do coletivo.
Muito mais poderia ser destacado acerca das nuanças que distinguem o comportamento do líder daquele encontrado no chefe e também das diferentes respostas que obtêm de seus grupos, não sendo o caso de listá-las todas aqui.
Mas há um aspecto cuja menção não pode deixar de ocorrer: enquanto o chefe conquista facilmente uma legião de torcedores pela sua derrota, o líder genuíno tem a tendência de arregimentar discípulos.
Seus liderados têm prazer em desfrutar de sua companhia e, para o desespero daquele, em sua ausência, o ritmo de produção e o grau de qualidade permanecem, sendo grandes as chances de haver melhorias adicionais.
Diante do quadro, só por ilusão alguém consideraria potencialmente criativa e inovadora a empresa que ainda apostasse em chefias dissociadas das virtudes de uma boa liderança.
Os manuais poderão até registrá-lo, mas, no local em que as coisas são definidas de fato, aqueles que realmente fazem acontecer são implacáveis: ao chefe, a paga pela sua arrogância; ao líder, o apoio que promoverá a todos.
Levando-se em conta que os boicotes são amantes do desperdício e da baixa rentabilidade, além da provável perda do alvo, não seria muito mais interessante se nos certificássemos de que todos perseguem o bem comum?