Já perdi a conta de quantas vezes ouvi algo parecido com: "Desista, isto não é para gente como nós". Ou: "Não, não pode ser feito". Pensando bem, outra que me perseguiu por algum tempo foi: "Você não está preparado para isso. Tem outros mais bem qualificados". E por ai vai... E quanto ao recomeçar? Sinceramente, parei de contar na terceira vez em que um empreendimento meu fracassou... Hoje o exercício é agradável, mas na época dos acontecimentos não era nada fácil enfrentar a ideia de que talvez tivessem razão. Quem sabe eu não passasse de um sonhador. É difícil explicar, mas "algo" parecia me apoiar nos momentos em que ninguém - ninguém mesmo - estava disposto a fazê-lo. O engraçado é que depois, alguns desses, foram enfáticos: "Eu sempre soube que você conseguiria"... Bem, qual a razão destas referências? Simples, a experiência é a mãe da aprendizagem. Mas o fato é que podemos aprender também com a vivência dos que nos cercam. Estou convicto de que minha jornada tem um longo caminho a ser percorrido ainda. Eu talvez tenha trilhado a metade - quem sabe. Entretanto, pensando nos que começaram bem depois ou que talvez estejam iniciando agora, é importante desmistificar algumas coisas. A primeira delas é que acima de tudo o indivíduo compete consigo mesmo. Ninguém pode segurá-lo, ao menos, não permanentemente - exceto aquele que pensa, sente e age por seu intermédio. A segunda é que não transformaremos nada em ouro com apenas um toque. É preciso paciência, dedicação, esforço, persistência - não raro, sacrifício... Pode parecer lugar comum, porém aquela expressão quase "milenar" oculta uma verdade ímpar: "O gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração". A terceira é que tudo tem o seu preço, sendo relativamente simples a "equação": a proficiência está diretamente relacionada à forma como empregamos o tempo. Honestamente, não acredito que alguém melhore suas habilidades, quaisquer que sejam, desperdiçando-se em "shopping centers", "baladas", comunicadores instantâneos, redes sociais, etc. Não que não tenham o seu lugar. Como diz o "slogan" do Ministério da Saúde: "...(Use) com moderação". A quarta é que o sujeito não é uma ilha. Os projetos costumam exigir a participação de duas ou mais pessoas. É muito importante manter em perspectiva que o grande conceito, a grande ideia pode nascer de um só, mas sua consecução acabará reclamando a presença daqueles que darão vida à "peça". A quinta é que o fim é, na verdade, o recomeço. Em outros termos, quando conquistamos uma de nossas metas, ainda que seja a aparentemente mais difícil delas, devemos comemorar sim, mas sem perder o foco dos desafios que nos aguardam. A sexta desta relação não rigorosa, não exaustiva, apenas didática, é que está mais próximo do sucesso e da felicidade quem gosta do que faz. Mas será melhor para nós se aprendermos logo que o processo costuma ter como pré-requisito o aprender a gostar do que se faz. Concluindo, como diz o Mauro Halfeld: "Não deixe de aproveitar o seu fim de semana". Ao que acrescento: "E saiba também aproveitar a semana toda".
Persistência
Ariovaldo Esgoti
22/07/2012