"Se você esperar para agir somente quando estiver totalmente preparado, não fará nada", dizia uma antiga fonte de inspiração. Conheci também um autor que apresentava este tipo de filosofia como uma das mentiras do sucesso, porém necessárias para que virtualmente qualquer projeto decolasse. É claro que isto não implica em que alguém devesse se lançar a alguma empreita sem antes ter realizado a lição de casa. Em outras palavras, há um nível de qualidade no conhecimento e na preparação que precisam ser atingidos para que a composição cumpra o seu papel. Talvez seja por força desse tipo de filtro, quem sabe pode ser pela coerência do sistema, o fato é que ao examinar os empreendimentos que se tornam bem-sucedidos percebo com certa naturalidade que os envolvidos não ficaram aguardando a perfeição para entrarem em cena. Mas, "Quem espera (ou acredita) sempre alcança". Será realmente verdade? Sinceramente, deixei de acompanhar este tipo de raciocínio já há um bom tempo. A vida acabou me ensinando que, embora indispensável a preparação, a confiança e, dentre outros, a motivação, somente quem enfrenta o desafio de abandonar a zona de conforto consegue construir alguma coisa... "Quem quer viver tem que arriscar", disse certo autor... Me parece muito difícil resistir à ideia de que o risco faz parte de qualquer projeto, mas, que fique claro, isto não significa que devamos desprezar as lições dos que já enfrentaram o desafio em questão ou ainda a legalidade da operação. Assim o é porque há o risco bom, aquele que nos impulsiona e que promove melhorias no meio em que vivemos, e há também o ruim, o que pode nos aprisionar ou levar a prejuízos quase que infindáveis. "O sucesso pressupõe o fracasso em alguma medida", afirmou outro... Já perdi a conta do número de vezes em que tropecei no ensaio dos passos em direção a certa dose de concretude de algum sonho. Costumava definir o ponto da seguinte forma: "Se a criança que ainda não aprendeu a andar decidisse somente se pôr em marcha depois de sabê-lo fazer bem, jamais andaria (sic)". Enfim, ore ou reze, como "se tudo estivesse nas mãos de Deus", e/ou medite ou reflita, como "se tudo dependesse do grau de interação entre o consciente e o inconsciente", e, claro, aja como "se tudo dependesse única e exclusivamente de você" - até porque a responsabilidade pelos resultados é inteiramente sua.
Abandonando a zona de conforto
Ariovaldo Esgoti
01/08/2012