Não conseguiu saltar


Parafraseando o jornalista, ao entrevistar a atleta (profissional): "Por que você não conseguiu saltar"? Ao que ela responde, em síntese: "Foi o vento" (mas assinala que deu o seu "melhor")... Se a pergunta fosse dirigida ao empresário que acabou de fechar a empresa ("O que aconteceu?"), provavelmente, ouviríamos algo semelhante a: "Foi o Governo", "... a concorrência", "... a falta de capital de giro", "... a crise mundial", etc. Hoje em dia dificilmente funcionasse, porém já foi uma estratégia aclamadíssima, lá nos primórdios da informatização: "Foi o sistema" ou, de uma forma mais rebuscada, "O software não atendeu as especificações"... Isto faz com que me lembre daquela crônica, que é um clássico em teologia: "Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?". Senhor, "Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi"... Se parodiássemos o mestre nazareno teríamos algo parecido com: "Santas desculpas nossas de cada dia, nos dai hoje"... Ignoro a origem, mas me recordo de um enunciado de difícil refutação: "Não importa o que aconteça, assuma a responsabilidade"... A frase tem outras variações, é verdade, o que, entretanto, não anula o seu significado. Às vezes, fico com a impressão de que alguns sofrem de uma espécie de patologia, a "Síndrome da Irresponsabilidade Adquirida". Têm enorme dificuldade de assumir o que quer que seja. Por essas e outras, sou franco adepto daquela corrente que defende sem titubear: "Reconhecer o problema (e sua fonte) representa, pelo menos, a metade da solução". Penso que assim seja até mais fácil, porque, excetuadas as ocorrências fortuitas, se admitirmos que os acontecimentos usualmente decorrem de nossa ação ou omissão, uma vez identificadas as reais causas, abreviaremos de forma expressiva o tempo da jornada rumo à superação. Por outro lado, mesmo quando diante de força maior, na hipótese de haver algo a ser feito para minimização das consequências ou, noutras palavras, para a gestão de riscos, o reconhecimento do próprio papel na mudança pode fazer grande diferença no resultado. Bem, a alternativa invariavelmente duvidosa é tentar ser mais criativo na racionalização.



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