Já de longa data se discute o impacto sobre a vida do indivíduo, que, por exemplo, se conduz como um verdadeiro "workaholic", sendo relativamente consensual que, no médio e longo prazo, os danos potenciais à saúde, aos relacionamentos e até mesmo à carreira deveriam atuar como inibidores de tal postura. Como apregoava a filosofia antiga: "O desequilíbrio deve ser evitado". O "meio termo" pode ser a melhor alternativa em muitas das situações do dia a dia, embora corramos o risco de constatar que as teorias mais brilhantes, na prática, podem ser difíceis de se implementar. São desafios da contemporaneidade. No outro extremo temos o grupo daqueles que muitas vezes sem o perceber padecem da "Síndrome do Fim de Semana". Alheios às oportunidades para se aprimorarem nas mais diversas áreas, sofrem na transição para os primeiros dias e desperdiçam por completo a semana inteira, sob a ilusão de que a vida que vale a pena viver começaria ao terminar a sexta-feira ou, conforme o caso, a manhã do sábado. Certamente não é tarefa das mais simples determinar a gênese de tal "patologia". Nem temos como ignorar que se não tiver sido publicada ainda alguma pesquisa que confirme certa pré-disposição genética para o quadro é questão de tempo para que o seja, visto que sempre teremos uma verdadeiro arsenal de motivos para justificar quase que quaisquer comportamentos. A esta altura pode até mesmo ser contraproducente a tentativa de se esboçar uma conduta presumivelmente correta ou saudável, o que, contudo, não deve inibir os esforços em prol, ao menos, de um conjunto de ações que seja mais adequado a nos aproximar do grande objetivo de nossa existência ou de nossos alvos intermediários. Para quem aprecia se justificar cantarolando, por exemplo, o saudoso Tim Maia ("A semana inteira fiquei esperando pra ter teu sorriso, pra te ver cantando. Quando a gente ama não pensa em dinheiro, só se quer amar..."), basta se recordar de que enquanto ele proclamava seus versos fazia justamente o que alguns abominam: trabalhava, e trabalhava muito (deixemos de lado as suas manias). Isto parece ser suficiente para o velho embate: deve-se "fazer o que se gosta" ou "gostar do que se faz"? Cada um tem o direito de dar a sua própria resposta. Vou me limitar a compartilhar aquilo que já não é segredo: aprendi a importância de "gostar do que fazia". Isto me permitiu ao longo dos anos passar a "fazer o que realmente gostava". A vida não deve ser resumida a trabalho, claro, mas, considerando que passamos cerca de dois terços dela envolvidos com o ambiente profissional, não seria muito mais interessante se nos alinhássemos ao que de fato dá prazer e contribui para um mundo melhor? Bem, a verdade é que aprovando esses conceitos ou não, de qualquer forma, você está certo(a).
O desequilíbrio deve ser evitado
Ariovaldo Esgoti
22/02/2013