O Deputado Marco Feliciano precisa repensar


Pode até ser que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) consiga satisfazer o próprio ego, permanecendo na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara dos Deputados, mas o esforço que tem despendido para se manter no poder já ameaça ser o bastante para por em xeque a sua carreira política. Ao que tudo indica o congressista cometeu um erro grosseiro ao subestimar o impacto de seu currículo, em especial, acerca das opiniões manifestamente fundadas em teses que contraditam o papel da referida Comissão; e, como se isto não fosse o bastante, que também contrastam com uma leitura teológica não enviesada. No plano prático, é como se ele estivesse entre a cruz e a espada. De um lado, tem convivido com os que cobram uma conduta realmente cristã e, de outro, com os que reclamam uma postura coerente com um legítimo Estado Democrático de Direito. Além de ficar mais difícil ao deputado resistir ao clamor social que aumenta em vigor dia a dia, precisa repensar o seu projeto de poder, pois nenhum estadista conseguiria dar passos seguros se investisse numa disputa como a que ele tem empreendido. A probabilidade é a de que ou ele é muito turrão ou está mal assessorado. Bem, se um dos enunciados da Lei de Murphy for aplicável ao caso, as duas situações poderiam estar ocorrendo de forma simultânea, afinal seria essencialmente a melhor maneira de se chegar ao maior dano possível. De qualquer forma, pela experiência, tudo indica que o presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), está certo em sua avaliação sobre o caso: a situação de Marco Feliciano é insustentável. Considerando que neste tipo de circunstância quem estiver próximo da linha em que ocorre o fogo cruzado pode ser atingido, é plausível que o apoio que ele ainda conserva não dure muito, afinal, no mundo da política ninguém em sã consciência quer a pecha de inimigo do povo ou, mais apropriadamente, das minorias - só o tolo o conceberia.



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