Os consumidores estão numa encruzilhada: ou tomam as precauções necessárias para diminuírem os riscos de aquisição de produtos ou serviços que podem comprometer o seu bem-estar ou continuam acreditando em tudo o que a publicidade veicula - tendo que enfrentar as consequências disto, claro.
Exemplos recentes vêm a demonstrar o absurdo que passou a rondar a população. Não bastasse termos que conviver com equipamentos, veículos, roupas, calçados e, em meio a outros, construções que apresentam problemas graves, nem o setor alimentício tem escapado.
Fomos surpreendidos pelo "recall" de produtos da Unilever. Um lote de suco da marca Ades foi contaminado com material de limpeza. Numa infeliz coincidência, descobrimos que também a Nestlé está fazendo o "recall" de lotes do chocolate Kit Kat, devido à descoberta da presença de material plástico no produto.
O que fica evidente é que a política de controle da qualidade precisa ser repensada. De nada adianta ostentar a bandeira de empresa credenciada em todo tipo de certificação, se o mais básico, que é a conformidade do produto ou serviço, acaba escapando.
Aliás, está mais do que na hora de os consumidores passarem a se indagar sobre se realmente estão adquirindo os produtos ou serviços mais adequados ao fim a que se propõem, além de refletir sobre se a compra realmente é necessária.
Isto porque, em paralelo aos riscos à própria saúde que o consumo indiscriminado pode gerar, não menos importante é o impacto no orçamento de muitas famílias, que, devido à dificuldade de resistirem aos apelos de uma estrutura montada para sequestrar o indivíduo, se veem endividadas desnecessariamente.