Não, as trabalhadoras domésticas não desaparecerão. Aliás, desde que a classe conseguiu obter o reconhecimento dos primeiros direitos temos sido alertados de que o mercado não suportaria as mudanças e que haveria aumento do índice de desemprego.
Ocorre que o mercado não só tem suportado muito bem a ampliação dos seus direitos como tem tornado possível a migração das trabalhadoras para outros setores da economia, apesar dos desafios criados aos que insistem na contratação por este modelo.
Na realidade, estamos diante de uma espécie de clamor da sociedade pelo predomínio de um novo tipo de relação contratual. Se considerarmos os avanços, os quais não devem parar, a constatação é a de que deve ficar a cada dia mais difícil encontrarmos profissionais com perfil adequado às demandas disponíveis, bem como contratantes dispostos a assumirem sozinhos os riscos.
Tais circunstâncias podem ser vistas como crise, naturalmente, mas, como nos ensina a tradição oriental, também podem esconder a semente da oportunidade. Tudo dependerá da perspectiva que escolhermos para administrar o quadro.
No que diz respeito às novas demandas, a economia nos ensina que o mercado acabará encontrando uma forma de supri-las. Em meio às possibilidades, é plausível que as empresas que buscam atender o setor, ofertando profissionais com capacitação adequada, tenham crescimento significativo, pois estamos diante de tempos que nos convocam, não à relação pessoal de emprego, mas à terceirização.
Levando-se em conta que há muito em jogo, sendo que inclusive alguns dos custos em potenciais podem se revelar indigestos numa situação que envolva vínculo trabalhista direto, podemos acabar concluindo que é muito mais seguro contratar uma empresa ou, conforme o caso, uma cooperativa.
Usualmente, quando expostos a este tipo de raciocínio, alguns tendem a resistir a ideia sob o pretexto de que a mediação de uma pessoa jurídica iria encarecer o contrato. Mas, a realidade é que este argumento não consegue suportar alguns segundos de uma reflexão séria, pois somos confrontados com certa frequência pela constatação de que o barato não o é necessariamente, nem o aparentemente caro. Tudo vai depender das particularidades do caso concreto.