Educação Financeira Já


O trocadilho me parece inevitável. À semelhança do que presenciamos no início dos anos 80, seria interessantíssimo se sindicatos, entidades de classe, comunidades religiosas, etc. saíssem às ruas portando bandeiras com os dizeres: Educação Financeira Já.

Não creio que o drama vivido por muitas pessoas e seus familiares diminua sem que se submetam a uma formação financeira consistente. Conceitos como o de juros, descontos, inflação e, dentre outros, de planejamento são vitais.

Concordo que seria preciso também o aprendizado sobre a importância da capacidade de se adiar a gratificação, em meio a outros recursos que bem podem colocar o indivíduo no controle do próprio orçamento - noutras palavras, da própria vida.

Certamente não é o único fator, mas o descontrole sobre o orçamento pessoal e, em muitos casos, familiar coloca o indivíduo como presa fácil nas mãos de aproveitadores, que, valendo-se da ignorância de sua vítima, aplica-lhe os artifícios do "Arsenal 171" - ainda que institucionalizado.

Vejamos o que nos diz o Código Penal sobre o estelionato: é a obtenção, "para si ou para outrem, [de] vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento".

Ora, não é exatamente assim que muitos projetos de marketing funcionam? Com o objetivo de proporcionarem a maior margem de lucro aos seus idealizadores, buscam despertar alguns dos sentidos do consumidor, para que adquira bugigangas - bens, serviços, ideologias... - que só servirão para subtrair-lhe os já escassos recursos.

Considerando as consequências do estado de má formação em que muitos se encontram acerca das finanças pessoais e familiares, e, em alguns casos, também empresariais, ou o indivíduo chama para si a responsabilidade pela aprendizagem, ou continuará alimentando o seu próprio predador.



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