As investidas de Fernando Henrique Cardoso tentam dar o tom das próximas eleições presidenciais, mas o fato é que o senador Aécio Neves, um dos prováveis representantes do PSDB, terá muita dificuldade para inviabilizar a "recondução" da presidente Dilma Rousseff. O cenário não fica mais confortável, nem com Serra, nem com Alckmin, para o desespero Tucano, e de antipetistas em geral. Com aprovação na casa de 70%, a presidente prossegue a largos passos, sem ser preciso que se incomode em demasia com a concorrência; afinal, se é que tem mais alguém de peso na disputa, esse alguém ainda não conseguiu dizer a que veio. Tem a seu favor, não mais a figura daquele que a lançou, e que está relativamente próximo de se tornar réu em um processo que promete dar o que falar, mas o mérito de ter conseguido se sustentar até aqui, fazendo tão bem a lição de casa quanto qualquer outro, se não melhor. Digo-o desta forma até com certa dose de perplexidade, pois nunca me enamorei do Partido dos Trabalhadores (PT), nem me encantei com quaisquer de suas ideologias. Só que o PT que temos visto em ação, apesar da distância que guarda da utopia que costumava anunciar, ao menos, no plano federal, tem dado uma bela surra na, agora, oposição, demonstrando com propriedade como é que se faz. Terei que discordar de FHC, o problema do PSDB não é a desunião do partido é de carência ideológica, inexistência de propostas reais e ausência de estadistas de verdade. Se buscarmos um pouco mais, certamente, encontraremos outras lacunas em sua frágil hipótese. E o que dizer do senador Aécio Neves, então ele sabe como levar o país a crescimento de 4% a 5% ao ano? De uma hora para outra descobriu o segredo para o desenvolvimento pleno da nação? Hum, interessante a revelação, principalmente porque para demonstrá-la teria que chegar ao poder, o que não será tão simples assim. Exceto se surgirem fatos que coloquem em risco a imagem da presidente, são muito boas as chances até para um lance certeiro logo no primeiro turno. Mas concordarei com a ideia de que para o país usualmente é melhor definir o pleito em dois turnos. Se bem que com os nomes que aí estão, parece improvável que o quadro se altere de forma significativa.
Discordando de FHC
Ariovaldo Esgoti
12/04/2013