Infelizmente está se tornando coisa corriqueira, como se não bastassem os indícios veementes de fraude no "Programa Minha Casa, Minha Vida", a sociedade é colocada mais uma vez diante da revelação de um esquema que promete ter de quase tudo: tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, extorsão e, dentre outros, formação de quadrilha.
No caso recém-denunciado por meio de cobertura jornalística chama a atenção uma peculiaridade que quase passou desapercebidamente: as principais instituições financeiras cooptadas pelo esquema estão sujeitas à auditoria independente desenvolvida por ninguém menos que representantes das mais mais do cenário nacional.
Não será o caso de nominarmos quem quer que seja, por razões que julgamos serem óbvias, mas cabe destacar que tais informações estão disponíveis aos interessados, inclusive por meio da rede mundial de computadores, visto que se tratam de dados públicos.
Este quadro, além de exigir apuração rigorosa e, oxalá, condenação na medida da responsabilidade dos envolvidos, serve de alerta ao empresariado e, não menos importante, à classe contábil, pois os indícios já são suficientes para que, no mínimo, haja uma profunda reflexão crítica sobre a qualidade dessas empresas e dos profissionais que as representam.
Ao primeiro porque é preciso redobrar a cautela quando da contratação de auditorias independentes, além de outros serviços ou mesmo produtos, que, embora tenham conseguido projeção, não raro até internacional, podem ter se aprimorado na arte de envolvimento em escândalos, o que poderia comprometer o posicionamento do contratante de boa-fé ou simplesmente impor-lhe perdas decorrentes de imperícia, imprudência ou negligência, às vezes, também de má-fé.
Na segunda situação, os conselhos regionais e, sempre que for o caso, os órgãos de defesa do consumidor precisarão fazer a sua parte, visto ser inadmissível a atuação de empresas que, além de desrespeitarem os direitos do público que se utiliza de seus serviços, expõem ao escárnio os seus pares, a maioria, certamente, comprometida com o bem da sociedade.
Cabe, enfim, ao cidadão realizar a sua parte, adotando a postura do consumidor consciente: antes da compra ou contratação é de suma importância pesquisar a idoneidade da empresa fornecedora em potencial e, se possível, também dos profissionais da linha de frente. Não há garantias de que não se compre gato por lebre, mas o risco tende a diminuir de forma expressiva quando são tomados os cuidados básicos.